As pessoas estão interessadas em gerir a própria saúde?

As pessoas estão interessadas em gerir a própria saúde?

O uso de smartphones, sensores e tendências como big data e internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) estão impulsionando a coleta de dados de saúde e viabilizando o autocuidado do paciente. Porém, a questão que fica é: as pessoas estão interessadas em gerir a sua própria saúde?
As iniciativas de medicina preventiva, que promovem a saúde e previnem ou controlam as doenças, só alcançam seus objetivos se o paciente também se engajar no tratamento e nas recomendações médicas, como praticar atividades físicas e manter uma alimentação saudável. Mas o que vemos, em termos gerais, é uma população com hábitos de vida pouco saudáveis, que come mal, é sedentária e muitas vezes abandona os tratamentos.
Por isso, hoje as estratégias focadas em qualidade de vida e iniciativas como a gestão de saúde populacional se apoiam também em métodos para estimular a mudança de comportamento das pessoas. Entre elas estão:
1) Informação – oferecendo conteúdo multiplataforma, melhorando a comunicação entre médicos e pacientes, divulgando dados e campanhas em redes sociais, palestras e publicações, entre outros;
2) Persuasão – utilizando exemplos que reforcem o comportamento positivo ou mostrem os danos de hábitos não-saudáveis, como as imagens de pessoas doentes nas embalagens de cigarro, ou, ainda, oferecendo incentivos financeiros e não-financeiros;
3) Coerção e manipulação – seja pela argumentação nas conversas entre o paciente e os profissionais de saúde, seja pela punição, como um aumento no plano de saúde para pessoas que se mantém em faixas de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas.
Em artigo na publicação Public Health Ethics, da Universidade de Oxford, o pesquisador Thomas Hove questiona esses métodos e propõe o empoderamento do paciente como uma estratégia mais efetiva para conquistar o engajamento. Hove analisa que a abordagem de mudança de comportamento tem problemas morais, por não respeitar a autonomia do paciente e pela possibilidade de aumentar a inequidade em saúde. Por outro lado, o empoderamento é um método colaborativo, segundo o artigo, mas que leva mais tempo para atingir os resultados esperados.
A visão de Hove é corroborada e complementada por outro pesquisador de Oxford, Alan Crib. “Oferecer às pessoas a oportunidade de fazer escolhas sobre sua saúde sem juntamente apoiar sua capacidade de atingir o objetivo dessas escolhas fica aquém do que é frequentemente considerado como moralmente e politicamente importante sobre a promoção da autonomia com relação à saúde”, conclui.
Fonte: Saúde Business

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