Pós-pandemia requer estratégia para a recuperação financeira

2020-09-17T10:13:57-03:00 17/09/2020|

A pandemia do novo coronavírus impactou todos os setores da sociedade. Mas o setor de saúde foi particularmente afetado: além de percalços com relação a novos protocolos, aumento de jornada dos profissionais, falta de testes e escassez de leitos, as instituições de saúde tiveram que lidar com problemas que envolvem a gestão hospitalar, em especial com relação aos aspectos financeiros.

 

Com a pandemia e a necessidade de distanciamento social, a rede pública, que há anos sofre impactos financeiros por conta da defasagem do repasse de procedimentos e dificuldade de adequação dos custos hospitalares, teve que suspender os procedimentos eletivos, exames e consultas, o que trouxe ainda mais complexidade à sua gestão financeira.

 

Do outro lado, a rede particular foi pressionada pela alta demanda de público, liberação de novos procedimentos — e consequente necessidade de se equipar — e ainda se viu diante da pressão por diminuição das mensalidades pagas pelos clientes dos planos de saúde.

 

Soma-se a isso o fato de que todas as instituições de saúde tiveram que lidar com o alto custo de insumos no mercado, como de máscara descartáveis e EPIs. E por mais que o governo tenha liberado uma tabela específica para procedimentos de Covid-19, os valores ainda estão longe de serem suficientes para equilibrar custos.

 

Como o pós-pandemia começou a despontar no horizonte, é possível fazer projeções a curto, médio e longo prazo. A Wareline já tem feito análises para auxiliar as instituições de saúde em como se preparar para esse momento, sob a ótica de três colaboradores. E agora é a vez do gerente de Operações Antonio Marcos de Oliveira, que aborda justamente os entraves relacionados à gestão financeira e como a tecnologia pode ser uma forte companheira na recuperação do setor.

 

Pós-pandemia e recuperação financeira hospitalar

 

Primeiro passo: eliminar desperdício

 

Para Antonio Marcos, a recuperação na área da saúde, assim como em outros setores da economia mundial, levará um tempo para acontecer e seus principais players terão que se ajustar ao novo cenário com agilidade e inteligência. “Tempos de crise também são tempos de novas oportunidades, investimentos em gestão estratégica, readequação de áreas e automação do setor de suprimentos, para evitar ao máximo o desperdício de insumos e recursos”.

 

Segundo o gerente, como no período pré-pandemia havia desperdício, tanto de recursos humanos quanto financeiros, agora é hora de buscar o equilíbrio. Entre as alternativas estão um melhor dimensionamento de times dentro dos setores hospitalares e também controle de recursos materiais. “Aqui, contar com a tecnologia será um diferencial, na medida que é possível acompanhar indicadores que consideram todas as variáveis dos departamentos. Considerando o setor de nutrição, por exemplo, com uma gestão mais estratégica e suportada pela informatização, pode-se conter o desperdício de alimentos, ter ainda mais assertividade na quantidade de alimentos que são comprados pela instituição, além de segurança da dieta correta para o paciente.

 

 

Mais parcerias, novas condutas e protocolos

 

A iminência do período pós-pandemia exige antecipação por parte das instituições de saúde. “Buscar parcerias inovadoras para a gestão, novas condutas e protocolos de segurança serão imprescindíveis para o retorno das atividades que foram paralisadas pelo efeito da pandemia, retomando a confiança da população e dos profissionais de saúde”, diz Antonio Marcos.

 

Entre as parcerias sugeridas está a com empresas de diagnóstico por imagem. Hospitais podem, por exemplo, disponibilizar alas para laboratórios se instalarem e prestarem atendimento e realizarem exames, contando com estrutura diferenciada e equipamentos de última geração. Isso agrega valor ao serviço oferecido e permite ao hospital amortizar parte de seus gastos, na medida que a terceirização do serviço de análise clínica também gera menos custo e mais qualidade.

 

 

Papel dos médicos, gestores e pacientes

 

Para Antonio Marcos, a segurança aos profissionais de saúde passa a ser o centro de atenção de todos os gestores.  Por isso, haverá uma maior preocupação com os controles de acesso aos hospitais, melhor identificação de quem circula nas instituições, sempre com o intuito de conter a propagação de qualquer enfermidade.

 

Outra ação importante está relacionada à gestão de leitos, na medida que um dos principais custos das instituições de saúde está relacionado com a sua taxa de ocupação. “Deve haver uma preocupação maior em melhorar o índice de rotatividade, focando em tratamentos que demandem menos tempo de hospitalização, deixando a ocupação mais longa restrita aos pacientes que realmente precisam”, reforça o gestor.

 

 

Tecnologia: grande aliada

 

A tecnologia deve assumir uma nova posição no período pós-pandemia. E quando falamos em sistemas de gestão hospitalar, o foco será ainda maior. “Se até então havia hospitais que contavam com sistemas robustos, mas não os utilizavam em sua totalidade, isso deve mudar. Será preciso acompanhar todos os setores de maneira integrada, considerando indicadores fidedignos e relatórios que permitam análises minuciosas para a tomada de decisões”, ressalta Antonio Marcos.

 

E ainda na premissa do que a tecnologia pode oferecer, a telemedicina também ganha mais destaque ainda mais quando aliada ao Prontuário Eletrônico (PEP) de qualidade. “Embora a regulamentação desta tecnologia tenha surgido como necessidade na pandemia, é preciso que seja entendida como uma facilitadora, em especial para o compartilhamento de informações sobre pacientes. Mas a segurança e o sigilo das informações devem continuar sendo resguardados pelos médicos e pelas instituições de saúde”, conclui Antonio Marcos.

 

O “novo normal” já está tomando forma e a tecnologia terá um papel fundamental. A autorização para a telemedicina no Brasil será votada novamente como um recurso a ser utilizado na saúde a nível nacional, cabendo aos gestores contar com qualidade do software e segurança da informação. A Wareline já está se preparando para o pós-pandemia, pensando em soluções rápidas, criação de novos processos e investindo em análises inteligentes.