Remuneração na saúde: você conhece os principais formatos?

2022-01-20T09:34:11-03:00 20/01/2022|

A necessidade de repensar os modelos de remuneração na saúde se tornou imperativa nos dias atuais. Tanto para entregar mais valor aos pacientes quanto para tornar o custo de cada atendimento mais previsível e associado ao desempenho do atendimento e do tratamento.

 

É um processo decisório que traz mais eficiência às instituições e mais sustentabilidade ao sistema de saúde brasileiro — seja ele público ou privado. Repensar o modelo de organização se tornou vital diante dos impactos financeiros e econômicos em unidades e operadoras de saúde suplementar.

 

Ainda mais em meio à pandemia, quando a falta de recursos (insumos, profissionais, equipamentos, EPIs, leitos, oxigênio, etc.) reforçou a necessidade de avanço em novos modelos. E aqui, o uso de dados se apresentou como uma ferramenta de extrema importância tanto para o acompanhamento dos custos realizados quanto para o valor gerado ao paciente.

 

Mas, o que muda na prática com a adoção de novas formas de pagamento? Quais seriam essas opções de remuneração na saúde e por que poderiam trazer impactos positivos para o atual sistema? É isso que você vai ver no post de hoje.

 

Fee for service: modelo em “xeque”

 

Antes de tudo, é importante citar como funciona o modelo de remuneração na saúde mais tradicional: o fee for service. É um tipo de pagamento por serviço, que consiste na remuneração de honorários de acordo com o volume de material consumido, o atendimento prestado ou a estrutura utilizada.

 

Em outras palavras: o pagamento é feito por cada exame ou procedimento realizado, diária ou qualquer outro consumo dentro da unidade de saúde. Na prática, costuma haver uma tabela de preços previamente estabelecidos.

 

Embora ainda amplamente usada no Brasil, essa é uma estrutura que está cada vez mais em “xeque” porque pode induzir ao desperdício ou estimular procedimentos além dos necessários — visando o aumento de valores a serem recebidos.

 

Os novos modelos de remuneração na saúde

 

Muitas empresas estão mudando os padrões de trabalho, priorizando o resultado e a qualidade da entrega – e não, necessariamente, os passos executados ou o tempo demandado para chegar lá. Os novos modelos de remuneração na saúde também se movimentam nesta direção.

 

Porém, antes de começar a falar sobre isso, é importante dizer que não há uma receita de bolo a seguir, tampouco um modelo ideal. Há os mais aderentes (inclusive o fee for service) considerando diversos fatores — como regionalidade, localidade, diversidade do Brasil, condições clínicas, etc. — de modo a agregar mais valor ao paciente e trazer mais eficiência ao sistema.

 

O fato é que as instituições estão testando diferentes possibilidades para entender os benefícios de cada modelo e qual melhor se adapta à sua realidade. Um ponto importante durante essa jornada de aprendizado por parte do hospital está justamente no fato de tentar encontrar uma solução que traga três importantes benefícios: controle de custos, valorização do que é entregue e qualidade do serviço prestado ao paciente.

 

Confira algumas opções de remuneração na saúde e suas particularidades.

 

Pagamento por grupo de diagnósticos relacionados

É quando se estabelece uma remuneração fixa para determinados procedimentos, para o atendimento ambulatorial como um todo ou até mesmo para o tratamento de alguns tipos de doenças, como o câncer de mama.

 

O propósito é padronizar os pagamentos. Neste formato, desburocratiza-se a relação com as operadoras e há um aumento na eficiência das instituições.

 

Pagamento por capitação (ou capitation)

Modelo de remuneração que tem como foco resolver os altos gastos e o aumento da sinistralidade das operadoras de planos de saúde. Consegue categorizar os pacientes segundo variáveis de idade, diagnóstico, complexidade assistencial e procedimentos.

 

Ou, ainda, classificar na forma de repasses de valores fixos, calculados com base no histórico de atendimentos do hospital e revistos periodicamente para readequação — de acordo com a complexidade e volume de atendimentos realizados. Não são consideradas complicações ocorridas nem desfechos clínicos.

 

Isso significa que os prestadores de serviço têm previsibilidade da receita, mas os custos não são tão precisos.

 

Pagamento por salário por tempo fixo

Consiste no sistema salarial como em qualquer outra profissão.

 

Pagamento de salário variável

A remuneração é feita em função de volume (produtividade) e qualidade de atos e procedimentos, que devem ser avaliados pela instituição.

 

Pagamento de um mix

O pagamento é resultado de uma soma de uma parte fixa – salário – a uma parte variável, como um bônus por performance.

 

Bundled service

É uma categoria de pagamento por performance, que usa incentivos com base no desempenho profissional. Cada bundle (que significa “pacote”, na tradução para o português) é criado com base em serviços hospitalares ou condições clínicas, com custos previamente definidos.

 

Portanto, o pagamento é feito por condição clínica ou linha de cuidado, responsabilizando o prestador por todo o atendimento durante o tempo previamente acordado. Se o procedimento é cirúrgico, o atendimento é coberto antes, durante e depois; em caso de doenças crônicas, há definição de um intervalo de tempo.

 

É um dos modelos mais atuais e de grande tendência para o futuro. Isso porque tem entrega de valor centrada em pacientes com condições clínicas específicas — o bundle compõe linhas de alta prevalência e baixa variabilidade.

 

Além disso, porque o futuro está intrinsecamente ligado aos dados e esse é um modelo que permite entender comportamentos e prever doenças. Mas, obviamente, há todo um cuidado que envolve essa questão e torna isso possível. Primeiro, é fundamental que haja qualidade dos dados e indicadores precisos para avaliar a remuneração. Segundo, é preciso atenção com a segurança dos dados e aderência à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

 

A importância dos dados em remuneração na saúde

 

A captura e a análise de dados se mostra peça fundamental para o avanço de novos modelos de remuneração no setor de saúde, principalmente aqueles baseados em valor, que visam maximizar a experiência do paciente.

 

Por mais que o conceito esteja em discussão há anos, se potencializou devido à Covid-19 por causa dos altos impactos financeiros e por que o agravamento da crise econômica manteve a pressão sobre empresas, planos de saúde e indivíduos que contratam planos diretamente.

 

Agora, há a busca por criação de mecanismos que confiram maior previsibilidade nas fontes de receita e também alinhem incentivos de efetividade e de desempenho ao longo de toda a cadeia com mensuração de indicadores.

 

Análises avançadas permitem realizar diagnósticos, prever riscos e até mesmo recomendar ações. Segundo estudo da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), no Brasil a análise descritiva ganha valor e pode ser mais amplamente usada à medida que os planos de saúde começam a coletar mais dados.

 

Como a tecnologia pode ajudar na remuneração na saúde

 

Mudanças de paradigmas na área da saúde estão diretamente relacionadas ao desenvolvimento tecnológico e à crescente capacidade de:

 

– captar e interpretar dados clínicos;

– analisar históricos;

– medir práticas de procedimentos;

– mensurar o consumo de recursos;

– gerar informações valiosas para a tomada de decisão.

 

Quando a instituição de saúde conta com um sistema de gestão hospitalar confiável, que fornece métricas e estabelece parâmetros, a mensuração do valor dos tratamentos e dos resultados é muito mais precisa. E isso impacta diretamente na remuneração.

 

É a tecnologia otimizando processos e recursos, fornecendo indicadores precisos, contribuindo com a segurança dos dados e abrindo caminho para um atendimento de mais qualidade, que coloca o paciente em primeiro lugar e é mais sustentável financeiramente.

 

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