O que os hospitais podem fazer diante da pandemia?

2021-02-25T16:14:34-03:00 25/02/2021|

O que os hospitais fizeram e estão fazendo no cenário de Covid-19? Como as instituições de saúde se organizaram e a quem recorreram para operacionalizar a assistência aos pacientes nesse momento tão crítico? O que ainda podem — e devem — fazer diante da (pós) pandemia?

 

Foram questões como essas que permearam a participação da Wareline em webinar promovido pela Fehosp (Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo).

 

O gerente comercial da Wareline, Raphael Castro D’Oliveira, e o gerente de projetos da Wareline, Octaviano Silveira Filho, foram os convidados do bate papo online. Eles alertaram aos gestores das instituições de saúde o que vai demandar a atenção deles a partir de agora, focando nos impactos da pandemia, uso de tecnologia, riscos a que o setor está sujeito, prevalência da telemedicina, o que se projeta no relacionamento com operadoras cadastradas e SUS, e orientam com relação a cenários possíveis. Confira!

 

 

Mudanças no formato do consumo de saúde no Brasil

 

Com 16 anos de experiência na área de tecnologia em saúde, Raphael Castro D’Oliveira iniciou sua explanação lembrando que todo esse cenário econômico e social de hoje trouxe muitos desafios no que diz respeito à operação dos hospitais e também à experiência do paciente em seu tratamento.

 

Por mais que os meios de comunicação tragam à tona questões relacionadas a esse momento histórico de pandemia da Covid-19, o dia a dia dos hospitais não acaba sendo repercutido. Mas a Wareline acompanha de perto a realidade das instituições de saúde, em especial as Santas Casas e vê os desafios que elas têm enfrentado para operacionalizar a assistência aos pacientes. Além de se orgulhar em ser parceira de grande parte delas e poder contribuir de alguma forma.

 

Antes de elencar sugestões para o período pós-vacina — como ele prefere nomear o pós-pandemia —, Raphael diz que é importante entendermos que muitas coisas irão mudar. Não só do ponto de vista administrativo e tecnológico, mas no formato de consumo da saúde hoje no Brasil.

 

A tecnologia foi um “braço” em algumas mudanças de comportamento do consumidor, como o ato de fazer compras e até mesmo acionar um veículo por aplicativo. E isso também vai atingir o setor de saúde.

 

A pandemia acelerou esse processo, que se tornou vital para garantir a sustentabilidade dentro de uma organização de saúde. E a intenção de Raphael no bate-papo foi justamente mostrar como as instituições de saúde podem se preparar.

 

 

Impactos: custo operacional em alta, verticalização das operadoras e alta demanda do SUS

 

Para explicar melhor os impactos da Covid-19 nas instituições de saúde e o que motivou a mudança de comportamento por parte do consumidor, Raphael apresentou dados da FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

 

No acumulado de 2020 (até julho), é possível verificar um aumento exponencial de serviços no índice de preço médio de materiais e medicamentos hospitalares. O custo operacional está em alta, de 18,72%. Por mais que ainda não haja o fechamento do segundo semestre, o cenário não deve ter mudado.

 

 

 

Com isso, as instituições têm que se preparar para o quê?

 

1º) Com o custo operacional em alta, é provável que não se consiga acompanhar contratos. Hoje a maior parte dos hospitais são financiados pelo SUS e pelas operadoras de saúde. E Raphael explica a (nova) realidade de cada um deles.

 

“O Brasil é um dos países que mais realiza exames complementares por cobertura de operadoras de saúde, segundo o OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Isso motiva as grandes operadoras a criarem serviços próprios e, consequentemente, a descredenciar serviços”, diz Raphael.

 

As aquisições de clínicas e hospitais mostram uma iminente consolidação de mercado, o que fará com que as instituições de saúde que não estiverem preparadas, sem produtividade e organização, não se mantenham lucrativas. Esse vai ser o grande desafio do pós-pandemia — ou pós-vacina.

 

Por outro lado, quem é 100% financiado pelo SUS também terá suas dificuldades — que não são poucas. Mas um dado importante é o movimento de migração para o Sistema Único de Saúde, desencadeado pelo desemprego em alta. Hoje já se fala que as operadoras perderam 327 mil usuários durante a pandemia da Covid-19.

 

“O que acontece é que o próprio sistema não está preparado para absorver esta demanda em um curto espaço de tempo. Então é um movimento importante que está trazendo à tona alguns desafios para que tenhamos um plano operacional e um plano de negócios para os próximos anos”, diz Raphael.

 

2º) Outro ponto de atenção é que os hospitais filantrópicos têm sido diretamente atingidos pelos efeitos econômicos, pressão do SUS, entre outros motivos.

 

Houve um corte expressivo de recursos destinados às instituições, que não atingiram os atendimentos de Covid-19, mas diminuíram aquela que era a maior margem de contribuição para os serviços: cirurgias eletivas e diagnósticos. O governo do Estado de São Paulo cortou 12% de verbas para 2021.

 

A boa notícia é que, analisando todo o conjunto, há formas de identificar potencialidades para sair desse modelo desfavorável e garantir a sustentabilidade das instituições, sendo que algumas delas passam por tecnologias.

 

 

5 pontos para instituições de saúde adotarem

 

Raphael cita 5 pontos importantes para as instituições de saúde adotarem para se fortalecerem perante a crise.

 

 

Para cada um desses pontos, o gerente comercial da Wareline elenca questões para as quais os gestores têm que estar atentos.

 

1) Saber os custos da sua operação

 

> Qual o ponto de equilíbrio de seus serviços: quando eles se pagam?

Para potencializar investimentos em uma ala do hospital, é preciso saber se ela é deficitária ou não.

 

> Qual sua ociosidade e quanto isso representa nos seus custos?

A ociosidade é aquele custo que você não vê, mas que toma a lucratividade. Saber quanto isso representa é vital para entender quais são seus custos dentro da unidade.

 

> Controle do orçamento como forma de manter a saúde financeira da instituição.

Poucos hospitais trabalham hoje com controle orçamentário: projetar se haverá aumento ou declínio de receita, saber qual será o orçamento destinado para cada área do hospital e fazer o monitoramento. Esse é um grande alicerce para manter a saúde financeira das unidades.

 

 

2) Trabalhar a produtividade

 

> Tecnologias que possibilitam ganhos de escala.

Com um protocolo clínico definido, por meio da tecnologia, o paciente não tem que perder tempo com procedimentos burocráticos, o que faz com que se ganhe em escala. O staff profissional consegue atender mais pessoas.

 

> Criação de KPIs para identificação de necessidades de possíveis ajustes em setores produtivos.

Não adianta criar uma ferramenta de ganho de escala sem saber para que rumo a instituição está caminhando. Os KPIs são indicadores de performance com os quais se consegue ver, em tempo real, se as ações estão surtindo (ou não) efeito.

 

> Adoção de programas de qualidade

Com melhores índices de performance haverá melhor adoção de programa de qualidade.

 

 

3) Criar diferencial competitivo com adoção de novas tecnologias

> Mobile como função integradora

Atualmente, pacientes e todos os profissionais assistenciais dentro de uma unidade hospitalar prezam por ter mobilidade, que traz ganhos expressivos para as instituições.

 

> Autoatendimento como forma de diminuir custos

A carga de cadastramento e procedimento dentro de uma recepção diminui. Isso faz com que se consiga atender mais rápido, com menos seção manual, e é possível até mesmo diminuir a área de acolhimento.

 

> Conectividade com webservice de operadoras, diminuição de erros de envios de contas médicas

Essa integração possibilita informação síncrona, em tempo real, sobre erros de determinada cobrança, por exemplo. Poucas operadoras estão preparadas, mas elas já entenderam que a operação manual é cara e estão investindo nisso. É um cenário para o pós-pandemia — e o próximo passo é os hospitais se adequarem.

 

 

4) Acompanhar as mudanças de perfil do consumidor de saúde

 

O consumidor que vinha espontaneamente para o hospital hoje tende a ir na internet, porque as experiências vêm trazendo segurança em utilizar ferramentas e serviços, como:

> Telemedicina;

> Atendimento domiciliar para coletas e diagnósticos;

> Mercado Home Care;

> Obtenção de laudos e resultados online

 

 

5) Qualidade na atenção, como consolidação para melhores negociações contratuais com operadoras

 

> Operadoras em processo de verticalização tendem a privilegiar contratos com hospitais de excelência em sua região.

As operadoras só não irão descredenciar instituições por dois motivos: por não conseguir suprir alguma demanda ou porque o hospital é de excelência, o que a faria perder beneficiários. Isso facilita a negociação.

 

> Processos manuais geram custos de processamento de contas e atrasos em repasses e glosas.

As operadoras também estão preocupadas e vão investir em tecnologias para gestão de custos, impactando na rotina dos hospitais. Os que forem 100% manuais, sem procedimento bem definido, terão dificuldades para manter as contas médicas, repasses e glosas em dia.

 

> Diminuição no número de prestadores credenciados estimulará competitividade.

Se há menos pessoas em um mercado mais consolidado, a tendência é que a competição seja mais acirrada. Esse tipo de competitividade irá impulsionar a “virada de modelo de precificação e valorização de serviço de saúde”.

 

> Modelo “fee for service” ou conta aberta, que foca a quantidade, está em processo de transição para modelo baseado em DRG.

 

Praticamente todas as operadoras estão se preparando para mudar o modelo de “fee for service”. Chegar no DRG será uma questão de tempo.

 

Para finalizar, Raphael diz que a pandemia deixou ainda mais clara a necessidade de rever as operações. Mais do que nunca, agora é a hora.

 

 

 

Quais lições os hospitais podem tirar dessa pandemia

 

O gerente de projetos da Wareline, Octaviano Silveira Filho, atua gerenciando projetos de implantação de sistemas, o que lhe dá amplo conhecimento sobre tecnologia em saúde. Mas antes de falar propriamente sobre inovação, ele lembrou que, apesar do tempo de incerteza e volatilidade, não estamos vivendo uma situação única de pandemia.

Em meados do século XIV, a raça humana foi praticamente dizimada pela Peste Negra, a Peste Bubônica. E é possível correlacionar a doença à pandemia atual: o número absoluto (não relativo) de mortes é considerável, os cuidados aplicados — como isolamento social, higienização, etc. — se assemelham e esta nova pandemia também trará ensinamentos.

Entre eles estão o isolamento social, que regeu um novo estilo de vida e até de negócio. A Covid-19 nos forçou, até por lei, a tomarmos algumas medidas. E o setor hospitalar certamente foi um dos mais impactados. Octaviano fala sobre isso e como a pandemia (e os cuidados) ainda irá perdurar até, no mínimo, 2021.

 


 

O gerente de projetos da Wareline acredita que alguns hábitos que surgiram durante a pandemia deverão ser incorporados de vez à cultura brasileira, como o ato de usar máscaras diante de uma gripe ou resfriado. E, depois, fala mais propriamente sobre tecnologia, tendências e em como os hospitais podem estar mais preparados para quando a pandemia terminar — e outra surgir —, com uso de Inteligência Artificial, Internet das Coisas (IoT) e da própria telemedicina.

 

 

 

Telemedicina: grande marca da pandemia

 

O encontro promovido pela Fehosp terminou com Raphael Castro D’Oliveira falando que a telemedicina — e suas ferramentas — pode ser considerada uma das marcas da pandemia no que diz respeito à tecnologia.

E inclusive ele trouxe alguns pontos interessantes que a telemedicina proporcionou, como:

 

  • Alinhamento ao novo modelo de se consumir saúde;
  • Maior agilidade;
  • Menor custo;
  • Maior abrangência;
  • Necessidade de cuidados com tratamento de dados digitais;

 

Raphael também destacou o fato de que a telemedicina ganhou papel de protagonista dentro do novo cenário de atendimento e consumo de serviços de saúde. Prova disso é que ela passou a ser um ativo de valor competitivo dentro da cadeia hospitalar.

 

 

Já é realidade que a telemedicina aumenta o acesso ao serviço de saúde. E se ela consegue atender com menor custo um maior número de pessoas, certamente é uma ferramenta que veio para ficar.

 

Mas, claro, tudo que é muito rápido pode ter distorções. Então o mercado de saúde e a tecnologia têm que estar atentos para alguns pontos de atenção e cuidado.

 

> Conduta de sigilo médico-paciente deve ser preservada;

> Propagandas durante consulta online são proibidas. Plataformas devem ser restritas ao médico e ao paciente.

> Necessidade de política de segurança e adequação do uso da telemedicina em conformidade com a LGPD (termos e consentimentos para gravação de dados e imagens);

> Uso de plataformas confiáveis.

 

A Wareline desenvolveu uma plataforma de telemedicina totalmente web com o Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) acessado via tablet. Todas as ferramentas têm segurança de autenticação de usuários e certificados digitais.

 

Para finalizar, Raphael faz um alerta: a telemedicina não vai parar por aí. Há um projeto muito maior e mais avançado, que vai muito além da consulta. Veja qual é ele no vídeo.

 

 

 

Como puderam ver, a telemedicina é apenas um gatilho para projetos muito maiores, que já são realidade em outros países. Ter sua instituição preparada não será mais um diferencial, mas o que pode garantir a sustentabilidade do negócio. Quer conferir o webinar completo? Acesse aqui.

Envie sua mensagem via WhatsApp