Glosas e faturamento hospitalar: o que esperar?

2022-06-09T12:06:47-03:00 03/06/2022|

As negociações com as operadoras de planos de saúde são determinantes para a saúde financeira dos hospitais, mas bastante desafiadoras. Muitas vezes os hospitais têm que lidar com dificuldades no recebimento de recursos pelos procedimentos realizados e as perdas e contestações sempre provocam grande impacto no faturamento hospitalar e no fluxo de caixa, que fica desestabilizado.

 

Na pandemia, esse cenário se agravou. O índice de glosas (recusa de pagamento por parte das operadoras) aumentou, reforçando a urgência dos hospitais por uma boa administração do faturamento. Seja para evitar perdas com convênios, recusar as glosas com rapidez e/ou para despenderem menos pessoas (e tempo) nesse tipo de processo.

 

Além disso, outros fatores podem influenciar na relação entre instituições de saúde e operadoras — e devem estar no radar dos gestores hospitalares. Estamos falando, principalmente, de inflação, queda dos procedimentos eletivos e verticalização em saúde.

 

Nesse conteúdo, vamos mostrar como tudo isso impactou a saúde brasileira, o que podemos esperar para 2022 (e para os próximos anos) e como os hospitais devem se preparar.

 

Índice de glosas: patamares elevados

 

Em 2020, ano que representa a fase mais crítica da pandemia, o índice de glosas voltou a subir para 4,10% da receita líquida dos hospitais — antes, havia tido queda de 4,19% em 2018 para 3,86% em 2019. O mesmo aconteceu com o prazo médio de recebimento dos recursos devidos pelas operadoras de planos de saúde: aumentou para 68,72 dias em 2020, após apresentar queda nos anos anteriores.

 

Uma das justificativas é o uso de medicamentos não padronizados. Afinal, todos os insumos, materiais e procedimentos que não fazem parte da tabela pré-acordada entre operadoras e prestadores de serviço estão sujeitos a glosas.

 

No entanto, em 2021, houve uma melhora no prazo médio de recebimento dos recursos devidos pelas operadoras de planos de saúde e no índice de glosas. Tudo isso consta no mais recente Observatório da Anahp (Associação Nacional dos Hospitais Privados), que representa instituições com estruturas mais robustas. Em hospitais filantrópicos e/ou nos de pequeno e médio porte, a situação referente às glosas tende a ser mais crítica.

 

Ainda assim, especialistas do setor avaliam que esses novos índices continuam em patamares elevados: 68,56 dias para o prazo de recebimento e 3,76% para o valor das contas glosadas sobre a receita líquida dos hospitais.

 

A justificativa está nos impactos negativos da pandemia de Covid-19 no cenário macroeconômico:  apesar do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e da redução das taxas de desemprego, a situação inflacionária fez com que esses resultados positivos não fossem traduzidos em avanço na renda da população. E as perspectivas não são positivas.

Inflação: reajuste recorde nos planos de saúde

 

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou em maio de 2022 aumento de 15,5% nos planos de saúde. Esse é o maior reajuste desde o início da série histórica, há 22 anos, com impacto (a princípio) apenas nos planos individuais e familiares contratados a partir de janeiro de 1999 — para os planos coletivos, é válida a regra da livre negociação.

 

Esse aumento histórico já era previsto e, segundo especialistas do setor, deve alterar a curva do número de beneficiários, que vinha em uma crescente: foram mais de 49 milhões entre março de 2021 e março de 2022, 2,6% a mais no comparativo com o período anterior. O repasse vem um ano após a ANS ter aprovado, pela primeira vez, um reajuste negativo.

 

Em 2021, as operadoras foram obrigadas a reduzir as mensalidades em pelo menos 8,19% por causa da queda na demanda por serviços de saúde em meio à fase crítica da pandemia. Nesse período, os planos registraram uma redução de custos e aumentaram o lucro líquido de suas receitas. Resultado: dinheiro em caixa e consolidação do processo de verticalização.

 

 

2022: verticalização dos serviços na saúde

 

Duas das maiores operadoras de planos de saúde estão avaliando a possibilidade de se unirem e outras aquisições também estão acontecendo nos últimos anos, bem como a incorporação de redes de hospitais. Além disso, operadoras estão duplicando a quantidade de hospitais pelo País e inaugurando unidades próprias.

 

A tendência para 2022 é, portanto, de uma sedimentação maior na verticalização e na formação de grandes redes de saúde suplementar do País.

 

Tendo em vista todo esse cenário de aumento da inflação, retomada da demanda em saúde e operadoras negociando novas unidades a fim de se tornarem mais competitivas, como os hospitais devem se preparar para manter seu equilíbrio financeiro?

 

A solução passa por 3 pontos fundamentais:

 

1º) Conhecer os custos da operação

Você sabe dizer qual é o ponto de equilíbrio dos seus serviços e quando eles se pagam? Sabe qual é a ociosidade da sua instituição e quanto isso representa nos custos? Por fim, como está o controle do seu orçamento?

 

Para potencializar investimentos, é preciso saber quanto uma ala do hospital é deficitária (ou não). Hoje, poucos hospitais trabalham com controle orçamentário, o que é fundamental para manter a saúde financeira das unidades.

 

Então vale a pena projetar se haverá aumento ou declínio de receita, saber qual será o orçamento destinado para cada área do hospital e fazer o monitoramento.

 

2º) Consolidar melhores negociações com operadoras

Entender os impactos de fatores macroeconômicos na saúde suplementar é essencial para oferecer a melhor negociação possível para os hospitais com as operadoras de saúde.

 

Para o Gerente Comercial da Wareline, Raphael Castro D’Oliveira, as operadoras em processo de verticalização tendem a privilegiar contratos com hospitais de excelência em sua região por questões mercadológicas.

 

Além disso, a tendência é de uma competição mais acirrada devido à queda do número de prestadores de serviço credenciados, o que estimulará a valorização do serviço de saúde — e, consequentemente, a virada de modelo de precificação.

 

Outro ponto importante é que as operadoras estão cada vez mais prontas para investimentos em tecnologias para gestão de custos. Então aqueles hospitais que desconhecem seus custos operacionais ou têm processos manuais e pouco definidos de gestão de contas médicas terão dificuldade em gerenciar seus recebimentos.

 

3º) Aderir a novas tecnologias, como o BI

 

Há tecnologias fundamentais para ajudar a reduzir os processos manuais e evitar registros ou interpretações equivocadas que impactam nas glosas médicas. É o caso do Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP).

 

Mas a inteligência de dados é algo que vem para contribuir exponencialmente nessa relação entre hospitais e operadoras de saúde. Por meio do Business Intelligence (BI), é possível ter acesso a relatórios completos por convênio e por setor, com análises dos motivos que levaram às glosas e comparativo por período, valores recebidos e glosados.

 

A solução faz o monitoramento em tempo real das glosas para ajudar os gestores das instituições a organizarem melhor seus processos e identificar falhas. Além disso, as informações confiáveis disponibilizadas por meio da tecnologia fornecem as percepções necessárias para aumentar a visibilidade das operações do hospital. Isso facilita a negociação de contratos e aumenta a competitividade.

 

Pensando em faturamento, o BI funciona como um guia que norteia as decisões do administrador hospitalar, já que a inteligência dos dados possibilita:

 

– Rastrear informações;

– Criar indicadores gráficos para cada processo, acompanhar sua evolução e sugerir ações estratégicas;

– Prever riscos;

– Reverter situações negativas;

– Visualizar gráficos de faturamento por tipo, procedimento, grupo de serviço e convênio;

– Identificar serviços lucrativos e subutilizados, o que evidencia novas oportunidades tanto de receita quanto de redução de custos.

 

A ferramenta de BI é a solução mais assertiva hoje para evitar erros e glosas, para que os hospitais não tenham perdas com convênios e para que as instituições estejam preparadas para esse novo cenário que se aproxima.

 

A conectividade com o webservice de operadoras é outro caminho que tende a se naturalizar. Algumas operadoras já estão investindo nisso e em breve os hospitais terão que se adequar. Se a sua instituição quiser estar 100% pronta para os próximos passos, fale com a Wareline! Veja como podemos (e queremos) ajudar!

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