Opinião: Crise nos Hospitais Filantrópicos

Opinião: Crise nos Hospitais Filantrópicos

O desequilíbrio econômico-financeiro chegou. Opa, espere! Continue lendo este artigo! Não, não estou falando da crise do governo brasileiro neste ano de 2015! Essa crise, apesar de previsível, é nova. Estou falando da crise nas Santas Casas e Hospitais Filantrópicos que se agravou como nunca nos últimos 5 anos, e não possuímos previsão de nem como e nem quando irá parar! Todos os dias vemos reportagens e mais reportagens mostrando o precário atendimento de hospitais e santas casas por esse nosso Brasil. Infelizmente, a “corda” está arrebentando na ponta em que estão as instituições de saúde que mesmo em situação precária continuam de portas abertas para a população. E a culpa dessa situação é a falta de recursos, ou melhor dizendo, dos recursos insuficientes que são repassados pelos entes federativos.
Estamos chegando num limite financeiro perigoso, em que os filantrópicos que atendem a mais de 50% da população não suportarão por muito tempo a forma como a saúde tem sido conduzida. Enquanto isso, há recursos de sobra para futilidades como a Copa do Mundo, Olimpíadas, Porto em Cuba, etc.
Vemos passivamente a demissão de um Ministro da Saúde por telefone, para conchavos políticos. E o que dizer do ajuste fiscal? Cortam-se os recursos financeiros da área da saúde como se os mesmos fossem suficientes ou soberbos. E sabemos que não o são, e o pior, são demasiados deficitários para as entidades hospitalares.
Uma válvula importante de escape nas últimas duas décadas foi a criação de diversos planos de saúde que serviam de esteio econômico-financeiro para nossas instituições filantrópicas. No entanto, com a ação atrapalhada nos últimos 13 anos da ANS, que tem “empurrado” mais e mais obrigações para esses planos de saúde (obrigações que o próprio governo não cumpre com o seu SUS), muitos planos de saúde dessas entidades entrem em dificuldade financeira grave, chegando às intervenções, alienações de carteiras e ao fechamento dos mesmos, tirando, com isso, a única fonte de renda lucrativa que os filantrópicos possuíam. 

Carlos Clayton Lobato é administrador de empresas com especialização em administração hospitalar e diretor Executivo da Santa Casa de Misericórdia Dona Carolina Malheiros, em São João da Boa Vista.

Matéria publicada originalmente na revista Wareline Conecta – Edição 11 – Janeiro, Fevereiro, Março/2016

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