Veja estágio da adoção das tecnologias de informação na saúde

2013-12-19T00:00:00-02:00 19/12/2013|
A tecnologia está cada vez mais presente em nossa realidade e também nos hospitais, seja através de sistemas de gestão hospitalar, prontuários eletrônicos do paciente ou com equipamentos mais potentes e específicos. Entretanto, a distribuição tecnológica não está uniforme no Brasil. Confira os dados na matéria:
Pesquisa inédita chega para mensurar o estágio de adoção das tecnologias de informação e comunicação (TIC) pelos estabelecimentos de saúde brasileiros e, assim, gerar um série histórica de dados, passíveis de comparação com outros países. Com 1685 instituições mapeadas, entre públicas (42%) e privadas (58%), e mais de 4 mil profissionais entrevistados, entre médicos e enfermeiros, a TIC Saúde 2013, divulgada nesta terça-feira (17/12), demonstra tanto os avanços e defasagens no uso das tecnologias.
Produzida pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br) e pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), cinco dimensões foram analisadas, sob mais de 80 indicadores, entre estabelecimentos sem internação, com internação de até 50 leitos e acima de 50 leitos, assim como centros de diagnósticos.
As questões relacionadas à estrutura e perfil das organizações demonstradas abaixo foram respondidas por gestores.
Confira os principais destaques:

Infraestrutura de TIC e Gestão de TI
-94% dos estabelecimentos pesquisados têm acesso ao computador e 91% à internet, sendo que a esfera privada possui maior representatividade no acesso: 80% nos públicos de acesso à internet nos últimos 12 meses e 99% nos privados;
-A maior defasagem do acesso às TIC está nas instituições sem internação como, por exemplo, unidades básicas, ambulatórios, clínicas de especialidades etc;
-9% dos estabelecimentos não utilizaram a internet nos últimos 12 meses. Entre as entidades sem internação, esse percentual chega a 20%;
-A banda larga fixa está presente em 96% das unidades com internet. A tecnologia 3G já começa a fazer parte da infraestrutura e está presente em 28% das organizações.
*A média de velocidade da internet pode ser conferida com mais detalhes na pesquisa, mas, em geral, ainda está abaixo para o uso de serviços de telemedicina por exemplo.
Departamento de Tecnologia da Informação
-41% possuem departamento de TI, com maior concentração em organizações acima de 50 leitos de internação (75%);
-A terceirização é menor nos estabelecimentos com mais de 50 leitos – que, em sua maioria (63%), contam com equipe de suporte própria.
Registro Eletrônico em Saúde e Troca de Informações
(Percentual sobre o total de estabelecimentos que utilizaram a internet nos últimos 12 meses – média geral e divisão entre público e privado)
Constatou-se baixa maturidade dos sistemas para apoio à decisão clínica e troca de informações.
-25% da forma de registro das informações médicas nos prontuários dos estabelecimentos com internet são totalmente eletrônica. No quesito, a discrepância entre o público e o privado é grande, sendo 9% totalmente eletrônica no público e 35% no privado;
-Média de 52% em papel e eletrônica; sendo 49% no público e 53% no privado;
-Média de 23% totalmente em papel; sendo 42% no público e 12% no privado.
*O estudo percebeu que os dados cadastrais são as informações mais frequentemente computadas de maneira eletrônica, cerca de 83%, seguida de resultados de exames laboratoriais, com 60%. A inserção de dados clínicos como sinais vitais dos pacientes, imagens de exames radiológicos, entre outros, ainda são em menor escala.
Troca de informações disponíveis no sistema eletrônico
(Percentual sobre o total de estabelecimentos que utilizaram a internet nos últimos 12 meses)
-Enviar ou receber resultados de exames laboratoriais do paciente para outros estabelecimentos 33%;
-Enviar ou receber informações clínicas para profissionais de saúde de outras unidades 25%;
-Enviar ou receber encaminhamentos de paciente para outros estabelecimentos de forma eletrônica 23%;
-Enviar ou receber relatório sobre a assistência prestada ao paciente no momento em que teve alta 21%;
-Enviar ou receber resultados de exames de imagem do paciente para outros estabelecimentos 16%;
-Enviar ou receber lista de todos os medicamentos prescritos ao paciente para outros estabelecimentos 15%;
-Enviar ou receber plano de cuidados da enfermagem 13%.
Serviços oferecidos ao paciente e Telessaúde
(Percentual sobre o total de estabelecimentos que utilizaram a internet nos últimos 12 meses)
O oferecimento de serviços online que envolvem o paciente é incipiente. Além disso, constatou-se que os estabelecimentos públicos cumprem um papel importante em relação à Telessaúde, principalmente em educação à distância em saúde e atividades de pesquisa.
-26% dos estabelecimentos oferecem ao paciente a visualização de resultados de exames via internet, enquanto 6% oferecem visualização de prontuário;
-17% agendamento de exames;
-13% agendamento de consulta.
Serviços de Telessaúde disponíveis
(Percentual sobre o total de estabelecimentos que utilizaram a internet nos últimos 12 meses)
“As políticas do setor estão caminhando para ter sistemas intercambiáveis, mas ainda estamos longe disso”, disse o Gerente do CETIC.br, Alexandre Barbosa, durante apresentação da pesquisa para a imprensa.
-Interação que não ocorre em tempo real, como por e-mail: 72% público e 69% privado;
-Educação a distância em saúde: 30% público e 17% privado;
-Interação em tempo real, como teleconferência: 27% público e 24% privado;
-Atividades de pesquisa a distância: 24% público e 16% privado;
-Monitoramento remoto de paciente a distância: 4% público e 6% privado.
O diferencial da atuação de entidades públicas em telessaúde é fortemente impulsionada pela Rede Universitária de Telemedicina, que possibilita a utilização de aplicativos que demandam mais recursos de rede e o compartilhamento dos dados dos serviços de telemedicina dos hospitais universitários e instituições de ensino e pesquisa participantes da iniciativa.
Além disso, a Rute leva os serviços desenvolvidos nos hospitais universitários do país a profissionais que se encontram em cidades distantes, por meio do compartilhamento de arquivos de prontuários, consultas, exames e segunda opinião.
**Estudo contou com apoio dos órgãos governamentais: Datasus, ANS, IBGE; Organismos Internacionais: OECD, Unesco, Cepal e Cetic.br; Associações de Referência: Sbis e ABNT e Instituições Acadêmicas: Unifesp, USP, Fundação Getúlio Vargas, Nic.br e Universidade de São Paulo.
Fonte: Saúde Web