Uso de tecnologias inteligentes nos negócios

2016-04-07T00:00:00-03:00 07/04/2016|
Nos últimos meses temos ouvido muito a respeito da Transformação Digital. Mas quase a totalidade de artigos e estudos a respeito tem se debruçado sobre sobre seus efeitos para os negócios das empresas da porta para fora, em relação à oferta de produtos e serviços disruptivos que aumentem o engajamento com os clientes, os consumidores. Mas quais seriam os impactos do aumento do uso de tecnologias inteligentes da porta para dentro, na forma como trabalhamos, quando trabalhamos e no tipo de trabalho que realizamos? As respostas estão no estudo “Smart technologies are delivering benefits to the enterprise— is your business one of them?”, da Avanade, segundo o qual a maioria das empresas ouvidas (93%) já está investindo no uso de tecnologias inteligentes no ambiente de trabalho, o que inclui dispositivos conectados, wearables e automação inteligente. 
Conduzido pela Wakefield Research, de dezembro de 2015 até janeiro de 2016, o o estudo ouviu 500 executivos C-level, líderes de unidades de negócios e decision-makers de TI nos seguintes países: Austrália, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos. “E os resultados encontrados não diferem muito do que observamos nos nossos clientes aqui no Brasil”, afirma Hamilton Berteli, vice presidente de expansão de mercado da Avanade Brasil.
O estudo descobriu que o aumento da receita é o grande condutor dessa adoção, já que líderes de negócios e de TI no mundo esperam crescimento de até 33% em seu rendimento com as tecnologias inteligentes até 2020. Outros benefícios citados pelos respondentes incluem o aumento da eficiência, melhoria na tomada de dcisão, assim como um aumento da satisfação e da retenção da força de trabalho.
Uma esmagadora maioria dos executivos e líderes de TI entrevistados (92%) acredita que será mais fácil para as empresas atrair e reter os melhores talentos enquanto eles aumentam sua confiança em tecnologias inteligentes no ambiente de trabalho.
“As empresas não serão as únicas a se beneficiar – indivíduos também poderão se concentrar em tarefas de maior valor, como inovação e solução de desafios críticos dos negócios. Como os resultados da pesquisaapontam, colaboração, comunicação e habilidades de resolução de problemas serão demandados para o local de trabalho digital do futuro”, explica o executivo.
Com o uso de máquinas mais inteligentes, as pessoas podrão ser liberadas para se concentrar em pensar o negócio e inovar.
A pesquisa mostra ainda que em resposta à adoção corporativa de tecnologias inteligentes, 20% dos postos de trabalho terão que ser readaptados até 2020. Isso obrigará à reciclagem de praticamente metade da mão-obra (51%). A maioria dos entrevistados para a pesquisa da Avanade (73%) acredita que suas organizações terão que contratar funcionários mais qualificados para fazer mais decisões complexas (presumivelmente porque as máquinas inteligentes se ocuparão das tarefas mais corriqueiras, como o primeiro atendimento no call center). As empresas terão como foco atrair e reter funcionários com capacidades de colaboração (51%), pensamento crítico (51%), reunir e analisar dados (59%) e, também, com habilidades para solucionar problemas (61%).
Além disso, 54% dos entrevistados disseram estar dispostos a trabalhar para um robô-chefe.
Surgimento da ética digital
Mas embora os benefícios da adoção da tecnologia inteligente sejam claros e convincentes, executivos C-Level, em particular, enfrentam questões éticas relacionadas a esse uso. Para 78% deles, suas organizações não estão dando atenção suficiente aos dilemas éticos do local de trabalho criados devido ao aumento da utilização dessas tecnologias.
“O quanto os funcionários podem se sentir invadidos com o uso dessas tecnologias acompanhando cada passo dado na empresa?”, indaga Berteli. Já imaginou o que aconteceria se o mero ato de rever a licença de maternidade ou a política de paternidade na intranet da empresa gerasse um alerta para o seu supervisor de que você pode estar esperando um bebê? Ou se o GPS apontasse que você não está no local que deveria estar naquele horário? “Aqui no Brasil, o uso da tecnologia para o home office acabou provocando flexibilização da legislação trabalhista”, lembra o executivo.
De fato, o gerenciamento de dados no mundo digital traz novos desafios e dilemas. Na verdade, os dados da pesquisa mostram que executivos C-level estão lutando mais frequentemente com questões éticas decorrentes do uso crescente de tecnologias inteligentes (42%)  do que com questões referentes ao incremento dos negócios (28%).
“Só porque algo pode ser feito com o uso de tecnologias digitais não significa que deva ser feito. Cada organização deve estar preparada para continuamente avaliar o quanto máquinas inteligentes e seres humanos podem trabalhar juntos para aumentar a inovação e a produtividade”, afirma Bertelli.
 A maioria dos entrevistados (96%) diz acreditar que as empresas terão que estabelecer e aderir às diretrizes de ética digital para serem bem sucedido. E 43% dos líderes de negócios e de TI entrevistados dizem já estar desenvolvendo novos papéis dedicados especificamente sobre a ética digital. Não por acaso,  84% deles se dizem susceptíveis a investir em promoção da ética digital nos próximos cinco anos, dedicando até 10 por cento do investimentos em TI nesta área. 
“Para manter a confiança dos funcionários, parceiros e clientes, investimento e foco são necessários para abordar as questões éticas decorrentes do uso de máquinas inteligentes no local de trabalho”, conclui o executivo.
Fonte: Computer World