Uma mulher de fibra

E quem ouve a profissional falar com tanto entusiasmo, não imagina que seu início profissional foi difícil. Filha de um administrador rural, tinha o sonho de ser arquiteta, mas foi impedida pelo pai, para quem ser arquiteta não era serviço para mulher. “Ele dizia que mulher tinha que trabalhar em casa e Farmácia era um curso bom, pois você pode ‘assinar’ para uma farmácia e ficar fazendo os serviços do lar. Eram outros tempos, uma geração diferente. Então resolvi estudar e conquistar minha independência financeira. Como a opção era a de ser farmacêutica, me dediquei aos estudos com intuito de ser a melhor profissional que pudesse ser.
Acredito que nós, mulheres, que estamos no mercado de trabalho, somos desafiadas todos os dias a comprovar nossa eficiência nos negócios, pois estamos numa fase de transição entre a mulher que foi criada para ser ‘do lar’ para a mulher que trabalha fora e que seu salário faz parte do orçamento da família”.
E seus desafios não pararam por aí. Ela começou a trabalhar no hospital exatos seis dias antes do filho nascer. Nessa mesma época, tinha também uma farmácia de manipulação. “Conciliar a vida de esposa, mãe, gestora de empresa particular e trabalho no hospital foi um dos grandes desafios que enfrentei como pessoa”, conta. E se, ainda assim, você não está convencido que ela não tem dificuldades em provar seu valor, aqui vai mais uma conquista. Quando foi contratada no Hospital de Divinolândia, a proposta era de trabalhar oito horas por semana, mas ela queria mais. “Tive que demonstrar o potencial do profissional farmacêutico na área hospitalar. E obtive êxito, pois hoje a minha jornada é de oito horas diárias”, garante Rosalina, que tem no currículo um MBA em Administração e Serviços de Saúde, além de três especializações – em Administração Hospitalar, em Saúde Ambiental e Gestão de Resíduos de Serviços de Saúde e em Gestão de Custos Hospitalares.
Há 18 anos, além de Farmacêutica Responsável, ela responde pela diretoria técnica do Hospital Regional de Divinolândia, que tem 192 leitos de média complexidade, 100% dos atendimentos SUS, e tem como principais áreas de atuação os serviços de oftalmologia, otorrino e ortopedia. “Minha principal função é manter as atividades dos serviços de apoio eficazes e atuantes, garantindo que as áreas destinadas à assistência tenham suporte para executar suas atividades com segurança e dentro do prazo. Pra que isso aconteça, elaboro, com os líderes setoriais, o planejamento de trabalho e acompanho os planos de ações desenvolvidos, monitorando indicadores dos serviços de apoio. Tenho uma equipe especial, motivada e empenhada, que não mede esforços para que as coisas aconteçam
dentro do planejado”, conta.
Aos 53 anos, 30 de casada e mãe de um filho de 27 anos, Rosalina tem muita disposição. “Acordo às 6h, entro no trabalho às 8h e saio às 17h. Faço inglês e pilates duas vezes por semana. Fins de semana são dedicados à família! Tenho o privilégio de ter pai, mãe e sogra sobre os meus cuidados e pertencer a uma família de oito irmãos que se reúnem, sempre que possível, aos domingos, com filhos, genros e noras na casa dos pais, quando assumo a execução do cardápio”, conclui, animada. Seus grandes exemplos de vida foram seu pai, que transmitiu fortes e importantes valores; um professor de Farmacognosia, Orlando Mario Soeiro, que ensinou o conceito de que “só uma pessoa muito ocupada tem tempo para fazer mais alguma coisa”; além da Coordenadora Eliana Giantomassi, que tem caráter humano e com exemplos nos faz aprender sobre inteligência emocional, respeito aos colegas
de trabalho e a proporcionar atendimento digno ao paciente do SUS. “Esses conceitos e exemplos busco colocar em prática no meu dia a dia, e agradeço imensamente a oportunidade de tê-los, cada um no seu tempo, comigo na jornada da vida”.
2016-12-14T00:00:00-02:00