UBS é primeira referência em saúde do brasileiro, diz pesquisa do IBGE

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a primeira referência para quase metade da população brasileira: 47,9% das pessoas costumam recorrer a esse serviço quando têm algum problema de saúde, ante 21,4% que escolhem ir a emergências de hospitais públicos, pronto-atendimentos públicos e ambulatórios. A UBS é definida pelo Ministério da Saúde como o local prioritário de atenção básica à saúde na estrutura do SUS.

Uma parcela de 20,6% procura consultório particular ou clínica privada e outros 4,9% buscam estabelecimentos de pronto-atendimento privados. O restante da população se divide entre farmácias, centros de especialidades e outras unidades do SUS.

Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Durante a divulgação dos resultados, nesta terça-feira (2), o ministro da Saúde, Arthur Chioro, disse que a “imagem negativa” do atendimento no SUS não é verdadeira. “Quem usa o SUS avalia de maneira positiva. Quem não usa fica com a percepção que não tem qualidade e nega atendimento.” Embora o panorama não avalie a qualidade do atendimento, ele afirmou que “todas pesquisas dos usuários mostram alto grau de satisfação”.

Trata-se da primeira edição da pesquisa e também o primeiro levantamento de saúde em âmbito nacional a coletar amostras de sangue e de urina da população entrevistada, o que confere mais precisão aos resultados. Pesquisas nacionais feitas anteriormente dependiam exclusivamente do relato do entrevistado sobre seus problemas de saúde.

Nesta terça-feira, o instituto divulgou o segundo volume dos resultados obtidos a partir da coleta feita no segundo semestre de 2013. O primeiro volume de dados foi divulgado em dezembro de 2014.

Foram visitadas 81.767 casas em todos os estados brasileiros, entre as quais 62.986 aceitaram responder ao questionário do IBGE. Enquanto todos os entrevistados tiveram peso, altura, circunferência da cintura e pressão arterial medidas, 25% desse conjunto realizaram também os exames de sangue e urina.
Serviços

Entre os domicílios visitados, 93,7% têm água canalizada em ao menos um cômodo, 60,9% têm esgoto, 89,3% são atendidos por serviço de coleta de lixo e 99,6% têm energia elétrica.

Plano de saúde

A pesquisa constatou também que 27,9% da população tem algum tipo de plano de saúde, seja médico ou odontológico. Em 32,4% dos casos, quem paga o plano é o empregador do titular. Entre os que bancam diretamente o próprio plano, 57,6% pagam menos de R$ 200 mensais. Já uma parcela de 4,7% paga mais do que R$ 1.000 de mensalidade.

Consultas

Entre as pessoas entrevistadas, 72,1% relataram ter consultado ao menos um médico nos últimos 12 meses antes da pesquisa. Já a parcela dos que haviam consultado um dentista no mesmo período foi de 44,4%.

Gripe e resfriado

Segundo o levantamento, 7% das pessoas deixaram de realizar atividades habituais por motivo de saúde nas duas semanas anteriores à pesquisa. Essa parcela passou a 11,5% entre pessoas com 60 anos ou mais. Entre os que tiveram problemas de saúde nas duas semanas anteriores à pesquisa, 17,8% tiveram resfriado ou gripe e 10,5% dores nas costas, pescoço ou nuca.
Entre os que receberam atendimento em algum serviço de saúde, a parcela dos que conseguiram obte pelo menos um dos medicamentos receitados no serviço público de saúde foi de 33,2%.

Internações: parto normal e cesárea

O estudo revelou ainda que 6% dos entrevistados ficaram internados em hospitais por pelo menos um dia nos últimos 12 meses antes da pesquisa. Enquanto o principal motivo de internação nos hospitais públicos foi o parto normal (7,2%), seguido pela cesárea (5,9%), nos hospitais privados, ocorreu o inverso: a cesárea corresponde a 9,7% das internações, enquanto o parto normal corresponde a 2,1%.

O ministro Chioro citou a prevalência de cesáreas nos hospitais particulares como “preocupante”. Ele também mostrou preocupação com a “epidemia de acidentes de trânsito”.

Acidentes e cinto de segurança

A proporção dos que se envolveram de acidente de trânsito com lesões corporais, segundo a pesquisa foi de 3,1%, dentre os quais 15,2% tiveram sequelas ou incapacidades.

“Tenho quase a convicção de que muitos de nós nunca ouvimos falar sobre como o uso do cinto no banco de trás diminui em 75% a taxa de morte. E não chegamos a 50% de uso – em algumas regiões, o número é bem pequeno”, disse Chioro, durante a apresentação dos dados.

A parcela de pessoas que sofreram violência física de pessoa desconhecida nos 12 meses anteriores à coleta de dados foi de 3,1%. Os que sofreram violência de pessoa conhecida foi de 2,5%.

Discriminação

Segundo a PNS, 10,6% da população já se sentiu discriminada em serviços de saúde, entre públicos e privados, seja por motivo de falta de dinheiro, classe social, cor, tipo de ocupação, tipo de doença, religião e preferência sexual.

Outras pesquisas nacionais de saúde

Pesquisas nacionais sobre a saúde da população feitas anteriormente não coletavam amostras para exames. é o caso da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), que abordou o tema da saúde em 1998, 2003 e 2008 e também do Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), feito anualmente desde 2006.

A PNS ainda terá uma terceira etapa de divulgação de dados no final do ano, que deve incluir informações sobre a pressão arterial dos entrevistados. Os dados levantados a partir dos exames de sangue e urina, por sua vez, só serão divulgados em uma etapa posterior.

Fonte: G1

2015-06-02T00:00:00-03:00