Troca de dados na saúde cresce, mas ainda lentamente

Interoperabilidade é a capacidade de dois ou mais sistemas de gestão hospitalar diferentes trocarem informações entre si e utilizarem os dados trocados. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos revela que essa prática tem crescido nos últimos anos. Saiba mais:

Um novo estudo publicado na Health Affairs sobre o sistema de saúde dos Estados Unidos atesta que 30% dos hospitais e 10% das práticas ambulatoriais fazem parte de sistemas de troca de informações de saúde que transmitem dados entre fronteiras organizacionais – o chamado mercado de HIE, na sigla em inglês. é um grande incremento desde 2010, quando apenas 14% dos hospitais e 3% das práticas participavam de programas de HIEs. Mas 74% das 119 operações de HIEs – que em 2010 montavam um universo de apenas 75 – afirmaram que ainda têm dificuldade de criar um modelo de negócio sustentável.

Um total de 1.398 hospitais e 23.341 práticas ambulatoriais participavam de 119 HIEs. O tipo de dado mais comum das iniciativas de HIE são resultados de laboratórios (82%) e resumo de registro de pacientes (79%). Em ambientes de internação, resumos de alta eram o tipo mais comum de dado compartilhado. No ambulatório, os resumos clínicos tiveram maior frequência de trocas.

Quase todas as operações de HIEs permitiram a provedores demonstrar a capacidade de trocar informações clínicas eletronicamente. Apenas 10% das iniciativas, contudo, conseguiu alcançar todos os Uso Significativo (MU, ou Meaningful Use) para troca de informações em saúde. Aproximadamente 80% das operações de HIEs permitiram os participantes fornecer resumos de registros das informações de tratamento para pacientes em transição, mas menos de um terço deles conseguiam fechar relatórios de vigilância do quadro clínico ou enviar os resultados de laboratório reportados às agências de saúde pública.

Julia Adler-Milstein, líder da pesquisa e professora assistente na Universidade de Michigan, afirmou à Information Week  Healthcare: “[Os pesquisadores] viram um grande aumento no número de programas de HIEs que podem suportar algum tipo de troca de CCD [Documento de Continuidade do Tratamento, na sigla em inglês]. Isso é um resultado direto dos requerimentos base para o MU. Eles não suportam a troca de informação pública, que é uma opção de menu. Eles têm que estar próximos do que os provedores demandam e desejam.”

O universo pelo qual fornecedores estão dispostos a pagar ainda é relativamente estreito, para Julia. Não há ainda apetite para trocas mais gerais no setor, parcialmente devido aos planos de saúde que não suportam a divisão de custos sem compartilhar a maioria dos benefícios do HIE. O estudo mostra que clientes pagaram por menos da metade dos projetos de HIE e contribuíram financeiramente a um número ainda menor de projetos. Os autores concluíram que um método para melhorar a situação financeira dos HIEs ainda é engajar os assinantes a participar mais de projetos.

O estudo também indica que provedores ainda não suportam iniciativas de HIEs suficientemente a ponto de torná-las sustentáveis. Em alguns estados norte-americanos, como Michigan e Indiana, pontua Julia, isso reflete a competição entre as empresas de HIE. Outros estados, como Nova York, têm atraído limites mais sólidos entre as áreas de serviços, observa.

Isso abre campo para garantias governamentais, das quais a maioria dos esforços de HIE ainda dependem. Isso inclui mais de US$ 500 milhões que o Office of the National Coordinator of Health IT (ONC) dispensou aos estados para construir HIEs estaduais. Quando esse investimento cessar, alerta o material, há real perigo de ameaça à viabilidade de HIEs.

Enquanto isso, HIEs privados dão frutos nos Estados Unidos nos últimos anos, e alguns deles ultrapassaram os programas de HIE públicos. Pelo fato de HIEs privados abrangerem prestadores fora de suas empresas promotoras, acrescenta Julia, é possível que mais de 30% dos hospitais e 10% das práticas ambulatoriais pertençam a HIEs que se comunicam para além das fronteiras de negócios.

De qualquer maneira, ela nota, é provável que o desenvolvimento de organizações fiscais de cuidados (ACOs) e acordos de pagamento com base em valor irão aumentar o ambiente de negócio para HIEs. Não surpreendentemente, 87% dos ACOs estudados no jornal Health Affairs dizem estar planejando se envolver neste tipo de iniciativa.

“O Uso Significativo ajuda a gerar demanda para HIE”, afirma a especialista. “Mas sentimos que os modelos de negócios prioritários virão por meio de analytics e infraestrutura para alguns destes outros esforços de reforma.”

Enquanto programas de HIE ainda têm uma longa jornada pela frente, ela observa, a pesquisa concluiu que alguns conseguem, sim, relativo progresso. Um terço dos consultados afirmaram que provém infraestrutura técnica para organizações de saúde; um quarto afirma fornecer ferramentas analíticas e um terço diz prestar consultoria sobre o design ou a operação para entrega de novos modelos de negócio.

Fonte: Saúde Web

2013-07-17T00:00:00-03:00