Segunda maior categoria do Brasil, enfermagem busca valorização

Segundo a conselheira Vera Lucia Francisco, do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (CorenSP), a função deveria ser mais valorizada no Brasil. 
— A enfermagem é que cuida do paciente por 24 horas. Sem a enfermagem é impossível. A enfermagem vai dar os cuidados para o paciente, se não tiver a gente, a prescrição vai ficar no prontuário do paciente, será só uma medicação no papel. Sem enfermagem não tem como fazer saúde.
Ela ressalta ainda que, em qualquer tipo de hospital ou pronto-socorro, seja ele público ou privado, em geral, é o profissional de enfermagem o primeiro a receber o paciente.
—O enfermeiro está na porta de todo atendimento e vai estar sempre presente a partir da entrada do paciente.
Vera observa que este profissional está exposto a riscos que muitas vezes passam despercebidos. O número de agressões de pacientes e familiares na área de enfermagem é alto, segundo a conselheira. A pesquisa Fiocruz/Cofen, denominada Perfil da Enfermagem no Brasil, verificou que menos da metade se sente bem tratada pelo usuário.
—Quando o médico está ocupado e não pode atender, é o profissional da enfermagem que se expõe, muitas vezes em um momento de tensão. Neste caso, é ele a levar o primeiro tapa.
Por estar submetido a riscos e pela importância da profissão, a conselheira tem apoiado a implementação de uma jornada de 30 horas de trabalho e a criação de um piso para a categoria.
— Neste momento, a remuneração varia de acordo com o hospital. é importante que seja criado um piso.
A pesquisadora Maria Helena Machado, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz), que coordenou o levantamento, relatou, em balanço divulgado pela Fiocruz, que o profissional da área é submetido a um estresse prejudicial.
— Há um sentimento de invisibilidade, desgaste, estresse. Apenas 29% dos profissionais têm algum tipo de proteção no ambiente de trabalho contra a violência. é uma queixa forte e presente na fala deles.
 A má remuneração de muitos profissionais também preocupa, segundo observou a pesquisadora. Em torno de 27 mil (1,8% do total na área de enfermagem) recebem menos de um salário mínimo por mês.
— Os quatro grandes setores de empregabilidade da enfermagem (público, privado, filantrópico e ensino) apresentam subsalários. O privado (21,4%) e o filantrópico (21,5%) são os que mais praticam salários com valores de até R$ 1.000. Em ambos, os vencimentos de mais da metade do contingente lá empregado não passa de R$ 2 mil.
A profissão de enfermeiro requer curso superior e é praticada por cerca de 20% dos profissionais da área. Os técnicos e auxiliares representam em torno de 80% do setor. Para o curso de técnico é necessário o Ensino Médio e o de auxiliar necessita ser realizado por aluno que completou o Ensino Fundamental.
Fonte: R7
2015-05-27T00:00:00-03:00