Saúde suplementar doou mais de R$ 8 mi a candidatos

2014-10-06T00:00:00-03:00 06/10/2014|
Nas eleições de 2014, cujo primeiro turno ocorreu nesta segunda-feira (6), operadoras e seguradoras da área de saúde suplementar doaram, até setembro, R$ 8,3 milhões para 30 candidatos majoritários e proporcionais, de vários partidos. O levantamento foi feito pelos professores e membros da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Ligia Bahia (da Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ) e Mario Scheffer (da Universidade de São Paulo, USP). 
Foram considerados dados do Sistema de Prestação de Contas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que disponibiliza as informações na internet. As empresas de saúde suplementar foram identificadas por meio de razão social e CNPJ, de acordo com os registros na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Em seguida a pesquisa é realizada no site TSE, cruzando informações de receitas e arrecadações disponíveis em três campos: 1) Doador, 2) Candidato e 3) Comitê Financeiro/Direção Partidária.
Até setembro, os planos e seguros de saúde doaram R$ 8.382.850,00 a 30 candidatos, sendo uma candidata a presidente, um candidato a senador, 15 candidatos a deputado federal e 13 candidatos a deputado estadual. Ao todo 19 operadoras de planos de saúde fizeram doações. As que mais doaram foram a Amil (R$ 4.000.000,00), seguida da Bradesco Saúde (R$ R$ 3.125.000,00), e das Unimeds (R$ 688.000,00).
Os maiores beneficiados foram a candidata a presidente Dilma Roussef (PT), que recebeu R$ 4.000.000,00 da Amil, seguida do candidato eleito ao Senado, Ronaldo Caiado (DEM-GO), que recebeu R$ 100.000,00 da Unimed; de Maria do Socorro Jô Moraes (PC do B/MG), candidata a deputada federal também eleita e beneficiada com R$ 100.000,00 doados pela empresa Promed; e de Welington Coimbra (PMDB-ES), candidato a deputado federal também eleito que recebeu R$ 100.000,00 da Unimed.
O levantamento (somatório parcial das doações) integra estudo preliminar dos professores Scheffer e Bahia. Desde as eleições de 2002 os pesquisadores realizam o estudo “Representação política e interesses particulares na saúde: o caso do financiamento de campanhas eleitorais pelas empresas de planos de saúde no Brasil”. O atual levantamento foi feito com base nas duas parciais de prestação de contas das campanhas entregues ao TSE, portanto parcial, pois as prestações de contas finais de todos os candidatos deverão ser enviadas até 30 dias depois das eleições.
Para os estudiosos, os planos de saúde demonstram interesse de aproximação com as políticas públicas em todas as esferas de governo, apoiando candidatos de diversos partidos políticos. E, segundo eles, o lobby das empresas do setor de saúde tem sido bem sucedido, se considerados a presença de representantes do setor em cargos diretivos da ANS e a aprovação, pelo congresso e governo federal, de medidas que beneficiam economicamente as operadoras, entre outros indícios.
Uma versão em pdf do relatório parcial, assinado pelos especialistas, pode ser visualizado no site da Abrasco.
Fonte: Saúde Business 365