Saldo de 2015: situação dos hospitais públicos e privados brasileiros

2017-10-06T10:47:04-03:00 07/01/2016|

Algumas notícias que estão na mídia mostram como o setor de saúde, tanto o público quanto privado, está sofrendo com a crise econômica que o Brasil está atravessando. Um maior diálogo entre administradores e governo é urgente, bem como a criação de alternativas para enfrentarmos de melhor maneira o ano que se inicia e promete continuar sendo difícil para a saúde do nosso país.

 

 

Privados

Uma notícia divulgada no jornal Valor Econômico apresentou dados referentes à situação financeira das instituições particulares do país. A matéria mostra que, segundo levantamento da Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp), a receita líquida dos 22 maiores hospitais particulares do país caiu 1,8% no ano passado, chegando a R$ 8,3 bilhões. Em 10 anos, esta é a primeira vez que os hospitais registram queda de receita, agravada por um aumento de 8,3% nas despesas. Entre as justificativas para esse desempenho do setor hospitalar estaria o fato de que mais de 450 mil pessoas perderam seus planos de saúde ao serem demitidos no ano passado.

 

E para o ano que começa, as expectativas não melhoram pelas já conhecidas consequências da crise: aumento do desemprego e, em especial, da alta do dólar, que eleva os custos dos hospitais – como eles importam cerca de 30% dos medicamentos, materiais e equipamentos, serão diretamente atingidos. Também prevê­ se negociações mais acirradas com as operadoras e seguradoras de saúde. Não há outra alternativa para os hospitais senão se adequarem ao novo cenário, caso do Sírio Libanês e Albert Einstein – o primeiro não abriu novos leitos em 2015; no segundo os investimentos cotados em dólar e os contratos com os fornecedores estão sendo revistos e algumas funções podem ser acumuladas, podendo gerar demissões.

 

Estimativas da Anahp apontam que neste ano seus 80 hospitais associados tenham uma receita bruta de R$ 22 bilhões, uma alta de 2,2%. Mas não se trata de um crescimento orgânico, uma vez que em 2015 havia 77 hospitais associados, ou seja, três a menos.

 

 

Públicos

O cenário da saúde pública também é bastante preocupante. Em artigo publicado no Correio Braziliense, José Luiz Spigolon, Diretor-geral da Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB), expôs como o subfinanciamento do setor de saúde, somado à conjuntura de crises vividas pelo país, agravou a situação da saúde pública. Segundo ele, o último trimestre do ano teve um saldo de hospitais universitários exauridos e sem condições de honrar os compromissos, com greve de servidores, falta de material e medicamentos, sucateamento físico e tecnológico, a exemplo do que temos acompanhado no Rio de Janeiro, o que resulta numa desassistência da população em níveis inaceitáveis.

 

A situação é semelhante nas Santas Casas e hospitais sem fins lucrativos, responsáveis pela maior parcela da assistência hospitalar do Sistema único de Saúde (SUS). Com o intuito de continuar oferecendo o serviço para a população, essas entidades estão pedindo empréstimos bancários a juros altíssimos, que só agravam a sua situação de financeira. A dívida global do setor ultrapassa R$ 21 bilhões, causada pelo subfinanciamento, e a consequência foi que, em 2015, 218 hospitais e 11 mil leitos foram fechados, além de 39 mil trabalhadores demitidos. Isso porque o setor é responsável por mais de 50% das internações de média e alta complexidade do SUS; por mais de 60% dos transplantes e tratamentos de câncer realizados no país; e por ser a única unidade de saúde na maioria dos municípios com menos de 30 mil habitantes.