Paralisação tem 80% de adesão dos médicos, afirma Federação Nacional dos Médicos

Nesta quinta-feira, médicos de todo o país deixaram de antender a consultas e atendimentos eletivos. O Dia Nacional de Paralisação do Atendimento aos Planos de Saúde, como foi batizada a suspensão das atividades, teve uma adesão de cerca de 80% da classe médica, segundo informações da Federação Nacional dos Médicos (Fenam). Diversos movimentos espalhados pelo Brasil marcaram os protestos da categoria. Em São Paulo, uma passeata entre a sede da Associação Paulista de Medicina (APM) e a Praça da Sé reuniu cerca de 1.200 pessoas, segundo a organização do movimento, e 500, segundo a Polícia Militar de São Paulo. 
“O movimento está absolutamente vitorioso em todos os aspectos”, diz Cid Carvalhaes, presidente da Federação Nacional dos Médicos e do Sindicato dos Médicos de São Paulo. “A paralisação de hoje tem caráter de advertência e serve para chamar as operadoras de planos de saúde para um diálogo mais efetivo”, diz Carvalhaes. “Teremos dois meses para avaliar qual será o próximo passo com base nas respostas que vamos obter.”
Para Aloísio Tibiriçá Miranda, vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), a visibilidade do movimento tem servido para mostrar que, “enquanto os médicos procuram melhorar o atendimento aos pacientes, as empresas querem apenas reduzir seus custos”. Miranda diz que houve tentativa de negociar durante o ano inteiro de 2010, por intermédio da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). “As operadoras não apresentaram nenhuma ideia e nenhum resultado, e a ANS fez muito pouco”, afirma.
Caso as reivindicações não sejam atendidas e os planos de saúde se recusem a negociar, os médicos prometem novas ações. Entre elas, paralisações nacionais e setoriais, descredenciamentos e ações judiciais. “Mas é importante que fique claro que nenhuma medida será tomada para prejudicar a população”, diz Carvalhaes.
Crédito da foto: André Bueno/Folhapress
Fonte: Veja
2011-04-08T00:00:00-03:00