Ministro da Saúde afirma que caso suspeito de ebola está sob controle

2014-10-10T00:00:00-03:00 10/10/2014|
“A situação está sob controle”, afirmou, nesta sexta-feira (10), o ministro da Saúde, Arthur Chioro, durante entrevista coletiva para detalhar os procedimentos realizados com o paciente classificado como suspeito de infecção pelo vírus ebola.
Iniciado em março, o surto de ebola já infectou 7,5 mil pessoas. Guiné, Libéria e Serra Leoa são os países que concentram o surto da doença. A infecção ocorre por meio do contato com o sangue, tecidos ou fluidos corporais de indivíduos doentes, ou pelo contato com superfícies e objetos contaminados. O vírus só é transmitido após o surgimento dos sintomas.
Em sua apresentação sobre o caso, Chioro mencionou que o paciente apresenta quadro subfebril, sem sinais de hemorragia, vômitos ou quaisquer outros sintomas.
Além disso, o ministro disse que foi realizada testagem para malária, com resultado negativo para a doença, e que a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi comunicada por volta da 1h da manhã.
Ainda de acordo com Chioro, foram identificados 64 possíveis casos de contato com o paciente. Desse total quatro pessoas são consideradas suspeitas residenciais e se referem a dois casais que dividiram um apartamento com o paciente. Os outros 60 correspondem às pessoas que estiveram no mesmo local que o paciente, sendo que três realizaram contato direto, ocorrido durante o atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
Chioro ressaltou inúmeras vezes que esses 64 possíveis casos de contato foram considerados de baixo risco.
O ministro também mencionou que o primeiro resultado do exame, que está sendo realizado no Instituto Evandro Chagas, no Pará, será divulgado nesta sexta-feira.
A confirmação (positiva ou negativa), segundo Chioro, só será total após o resultado do segundo exame, que só pode ser realizado 48 horas após o diagnóstico de suspeita.
Por fim, o ministro da Saúde afirmou que o protocolo para diagnóstico foi aplicado com êxito e exaltou o trabalhado interligado entre as esferas estadual, municipal e federal.
Em especial, Chioro agradeceu à Secretaria Municipal de Saúde de Cascavel (PR), a Força Aérea do Brasil, a Polícia Rodoviária Federal, o Ministério da Saúde e às Secretarias de Saúde dos estados do Paraná e do Rio de Janeiro.
Entenda o caso
O caso foi anunciado na noite de quinta-feira (9), pelo Ministério e pela Secretaria de Estado da Saúde do Paraná. O paciente é um homem, de 47 anos, vindo da Guiné, com escala em Marrocos, e chegou ao Brasil no dia 19 de setembro, desembarcando no aeroporto de Internacional Guarulhos.
O paciente deu entrada na Unidade de Pronto-Atendimento Brasília, em Cascavel (PR), às 17h45min, relatando febre, que começou na quarta-feira (8) e prosseguiu na manhã do dia 9. Na manhã de hoje, o homem seguiu de ambulância para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, que funciona dentro da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro (RJ), após a viagem de avião realizada em uma aeronave  . O Instituto é considerado referência nacional para casos de ebola. A transferência foi feita em aeronave da Polícia Rodoviária Federal.
Por estar no 21º dia, limite máximo para o período de incubação da doença, foi considerado caso suspeito, seguindo os protocolos internacionais. Imediatamente após a identificação da suspeita, o paciente foi isolado na unidade e, adotadas medidas previstas no protocolo nacional, como a comunicação à secretaria estadual de saúde e Ministério da Saúde.
Treinamento para combate ao vírus
O Instituto Nacional de Infectologia, no Rio de Janeiro, foi eleito pelo governo brasileiro como hospital de referência nacional, para onde devem ser direcionados os pacientes em isolamento.
Dois aviões da Polícia Rodoviária Federal e da Força Aérea Brasileira serão disponibilizados para o transporte. Segundo Chioro, existem mais de 200 kits para proteção contra o ebola em todo o país.
O secretário de Vigilância em Saúde informou que o ministério treinou 60 profissionais para o correto fechamento e despacho de material biológico possivelmente contaminado para o Instituto Evandro Chagas, no Pará, onde os testes para confirmação da doença serão feitos.
Tire suas dúvidas sobre o vírus ebola

1. O que é a doença causada pelo vírus Ebola?
A doença do vírus Ebola (anteriormente conhecida como febre hemorrágica Ebola) é uma doença grave, muitas vezes fatal, com uma taxa de letalidade que pode chegar até os 90%. A doença afeta os seres humanos e primatas (macacos, gorilas e chimpanzés).
2. Quais são os sinais e sintomas do Ebola?
O Ebola produz uma doença grave. O início súbito de febre, fraqueza intensa, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta são os sinais e sintomas típicos. Isto é seguido por vômitos, diarreia, disfunção hepática, erupção cutânea, insuficiência renal e, em alguns casos, hemorragia tanto interna como externa.
O período de incubação, ou o intervalo de tempo entre a infecção e o início dos sintomas, pode variar de dois até 21 dias. Os pacientes tornam-se contagiosos apenas quando começam a apresentar os sintomas.
Eles não são contagiosos durante o período de incubação. A confirmação dos casos de Ebola é feita por exames laboratoriais específicos.
3. Como as pessoas são infectadas com o vírus?
A infecção ocorre por contato direto com o sangue ou outros fluidos corporais ou secreções (fezes, urina, saliva, sêmen) de pessoas infectadas.
A infecção também pode ocorrer se a pele ou membranas mucosas de uma pessoa saudável entrarem em contato com objetos contaminados com fluidos infecciosos de um paciente com Ebola, como roupa suja, roupa de cama ou agulhas usadas.
Pessoas que morreram de Ebola devem ser manipuladas apenas por quem esteja usando roupas de proteção e luvas. O corpo deve ser enterrado imediatamente. O vírus Ebola não é transmitido pelo ar.
4. Quem corre mais risco?
Durante um surto, como o que agora ocorre na Libéria, Serra Leoa e Guiné, as pessoas com maior risco de infecção são:
– Profissionais de saúde que atendem pacientes sem seguir as medidas de proteção adequadas;
– Membros da família ou outras pessoas que têm contato próximo com as pessoas infectadas;
– Pessoas que têm contato direto com os corpos dos mortos como parte de cerimônias fúnebres; e
– Caçadores que entram em contato com animais mortos encontrados na floresta.
5. Qual é o tratamento?
Não há tratamento específico que cure o Ebola. Alguns tratamentos experimentais têm sido testados, mas ainda não estão disponíveis para uso geral.
Os pacientes de Ebola requerem tratamento de suporte intensivo, realizado em hospitais de referência para tratamento de doenças infecciosas graves. Eles geralmente ficam desidratados e precisam se reidratar oral com soluções que contenham eletrólitos. Alguns pacientes podem se recuperar se receberem tratamento médico adequado.
Para ajudar a controlar a propagação do vírus, as pessoas suspeitas ou confirmadas de ter a doença devem ser isoladas de outros pacientes e tratadas por profissionais de saúde usando equipamentos de proteção.
6. Quais os riscos para os profissionais de saúde que cuidam dos doentes?
Os profissionais de saúde têm sido frequentemente expostos ao vírus ao cuidar de pacientes com Ebola na áfrica. Isso acontece quando eles não usam adequadamente equipamentos de proteção individual, como luvas e máscaras.
Os profissionais de saúde devem seguir rigorosamente as precauções de controle de infecção recomendados. Além dos cuidados usuais, os trabalhadores de saúde devem aplicar estritamente as medidas de controle de infecção recomendadas para evitar a exposição a sangue infectado, fluidos ou ambientes e objetos contaminados – como a roupa suja de um paciente ou agulhas usadas:
– Devem usar equipamentos de proteção individual, tais como aventais, luvas, botas, máscaras e óculos de proteção ou protetores faciais;
– Não devem reutilizar equipamentos ou roupas de proteção, a menos que tenham sido devidamente desinfectados;
– Devem trocar as luvas ao passar de um paciente para outro.
Procedimentos invasivos que podem expor os médicos, enfermeiros e outros à infecção devem ser realizado sob estritas condições de segurança.  Os pacientes infectados devem ser mantidos separados dos outros pacientes e pessoas saudáveis, tanto quanto possível.
A dificuldade de manter esses padrões adequados nos serviços de saúde dos países africanos acometidos tem propiciado a infecção em profissionais de saúde.
7. Qual é o tratamento?
Não há tratamento específico que cure o Ebola. Alguns tratamentos experimentais têm sido testados, mas ainda não estão disponíveis para uso geral.
Os pacientes de Ebola requerem tratamento de suporte intensivo, realizado em hospitais de referência para tratamento de doenças infecciosas graves. Eles geralmente ficam desidratados e precisam se reidratar oral com soluções que contenham eletrólitos.
Alguns pacientes podem se recuperar se receberem tratamento médico adequado. Para ajudar a controlar a propagação do vírus, as pessoas suspeitas ou confirmadas de ter a doença devem ser isoladas de outros pacientes e tratadas por profissionais de saúde usando equipamentos de proteção.
8. Como prevenir a infecção pelo Ebola?
Atualmente não há nenhuma vacina para a doença do vírus Ebola. Várias vacinas estão sendo testadas, mas nenhuma delas está disponível para uso clínico no momento.
Nos países onde existe transmissão do Ebola, a melhor maneira de se prevenir é evitar contato com o sangue ou secreções de animais ou pessoas doentes ou com o corpo de pessoas falecidas em decorrência dessa doença, durante rituais de velório.
9. é seguro viajar durante um surto?
A Organização Mundial da Saúde não recomenda restrições de viagens para os países que apresentam transmissão porque o risco de infecção para os viajantes é muito baixo, já que a transmissão de pessoa a pessoa só se dá com o contato direto com os fluidos corporais ou secreções de um paciente infectado.
Além disso, a transmissão ocorre, principalmente, em vilas e povoados de áreas rurais. Pessoas que viajam a trabalho para as capitais ou cidades desses países devem evitar qualquer contato com animais ou com pessoas doentes.
Os profissionais de saúde que viajam para as áreas com transmissão, nesses países, devem seguir estritamente as medidas recomendadas pela OMS para o controle da infecção.
Os brasileiros que residem nos países onde há transmissão do Ebola (Libéria, Serra Leoa e Guiné) devem evitar deslocamentos para as áreas rurais e vilas onde estão ocorrendo os casos, ficar alerta às informações e recomendações prestadas pelos Ministérios da Saúde desses países e evitar contato com animais ou pessoas doentes.
10. Como é feita a detecção de casos?
Como o período de transmissão só começa depois que a pessoa inicia os sintomas e como todo caso de Ebola produz sintomas fortes que exigem que o doente procure um serviço de saúde, a detecção de casos pode ser feita oportunamente em locais com serviços de saúde e sistemas de vigilância estruturados, facilitando a interrupção da transmissão.
Se uma pessoa vier de um país onde ocorre transmissão e apresentar a doença durante a viagem, a equipe de bordo aplica as normas internacionais vigentes, visando a proteção dos demais passageiros e informa às autoridades sanitárias do aeroporto ou porto de destino para a remoção e transporte do paciente ao hospital de referência, em condições adequadas.
11. O que fazer quando um viajante proveniente desses países africanos apresentar sintomas já no nosso país?
No caso do viajante realizar o deslocamento durante o período de incubação, no qual a infecção ainda é indetectável, e só apresentar os sintomas da doença depois da chegada ao país, o serviço de saúde que for procurado por esse paciente deverá notificar imediatamente o caso para a Secretaria Municipal ou Estadual de Saúde ou à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.
A partir da identificação de que se trata de um caso suspeito, já são adotadas as medidas para proteção dos profissionais de saúde envolvidos no atendimento ao caso, bem como para evitar que a infecção seja transmitida para outras pessoas.
O Ministério da Saúde recebe informações diárias da OMS para avaliar a situação do surto de Ebola na áfrica ocidental e recomendar as medidas adequadas para a proteção de nosso país.
Fonte: Portal Brasil