MHealth pode garantir US$ 14 bilhões de economia para o Brasil

Uma pesquisa divulgada pela GSMA, entidade global que representa os interesses das operadoras de serviços móveis, desenvolvida em parceria com a PwC mostra a transformação que a adoção da mHealth terá em países como México e Brasil daqui a quatro anos. O Mobile Health ou mHealth é a tecnologia móvel aplicada ou utilizada para o controle e orientação da saúde. Um exemplo de uso desse conceito são aplicativos instalados em smarthphones que orientam os pacientes de doenças crônicas sobre como ter um estilo de vida mais saudável para evitar o agravamento da enfermidade. Alguns especialistas sugerem ainda a integração desses aplicativos com os sistemas de gestão hospitalar das instituições para informar aos pacientes sobre datas de consultas e exames, por exemplo.

De acordo com a pesquisa, o uso do mHealth poderia resultar em uma economia de  US$ 14,1 bilhões no Brasil e US$ 3,8 bilhões no México em custos e a inclusão ao sistema de saúde de mais de 40 milhões de pacientes. A tecnologia aplicada a aparelhos móveis ainda é pouco utilizada em ambos os países. No entanto, assim como a tecnologia atingiu e aperfeiçoou a gestão hospitalar por meio dos sistemas desenvolvidos para este fim, o mHealth também pode trazer benefícios. O relatório aponta, no entanto, os obstáculos que, hoje, impediriam que a projeção de economia aconteça até 2017.

Segundo o estudo, sem um plano de ação do governo e dos órgãos reguladores, somente 10% dos pacientes que poderiam ter benefícios da tecnologia nesses dois países irão fazê-lo. De acordo com um comunicado emitido pela diretora-executiva da mHealth da GSMA, Jeanine Vos, as pressões sobre os recursos de saúde e o crescente peso das doenças crônicas tornam crucial a implantação de soluções inovadoras e de baixo custo. A mHealth irá aumentar o alcance, a eficiência dos gastos e a eficácia da assistência para prestar serviços de saúde de melhor qualidade a mais pessoas.

Benefícios da mHealth

Capacitar os pacientes pobres e crônicos

• Informar sobre orientações de saúde para mais 28,4 milhões de pacientes no Brasil e 15,5 milhões de pacientes no México em 2017

• Equipar aproximadamente 16 milhões de pessoas para melhorar o seu estilo de vida e diminuir o impacto das doenças crônicas, aumentando a expectativa de vida

Sustentar sistemas de saúde universais

• Melhorar a qualidade da assistência e sua eficiência, promovendo uma economia de US$ 17,9 bilhões em custos (US$ 14,1 bilhões no Brasil e US$ 3,8 bilhões no México)

• Criar 200 mil postos de trabalho para sustentar as implantações da mHealth no Brasil e México

Melhorar a qualidade de vida

• Salvar quase 16 mil vidas e adicionar 23 mil anos de vida, e também poupar aos médicos 14,6 milhões de dias de trabalho por meio da melhoria da prevenção, diagnóstico e tratamento

• Garantir que os cidadãos construam uma força de trabalho saudável, incluindo US$ 12,9 bilhões ao PIB do México e do Brasil

Barreiras para a adoção da mHealth

O relatório aponta quatro grupos principais de barreiras que limitam a adoção da mHealth em toda a América Latina. São elas:

Regulatórias

• As definições políticas e regulatórias ainda não estão desenvolvidas em relação às soluções de mHealth para alcançar pacientes e profissionais de saúde de forma rápida e eficaz. A não existência de marcos regulatórios que guiem o desenvolvimento e a implantação destes serviços está atrasando sua adoção

Econômicas

• Os sistemas de saúde atuais não focam no cuidado preventivo e contínuo, ao contrário, incentivam os tratamentos individuais e as prescrições médicas

• é importante ressaltar por meio de evidência clínica o impacto positivo que a mHealth pode oferecer, com o objetivo de se obter a adesão da comunidade clínica e pagantes, como governos e seguradoras

Estruturais

• A fragmentação dos sistemas de saúde no Brasil e no México dificulta a troca de informações e o alinhamento dos processos, evitando o crescimento da mHealth

Tecnológicas

• A falta de interoperabilidade e padronização das soluções de mHealth pode localizar a implementação, o que limita a escalabilidade da mHealth

O documento também lista o que os países estariam deixando de aproveitar em termos econômicos e sociais, caso essas barreiras não sejam ultrapassadas neste curto espaço de tempo:

• O valor economizado em saúde no Brasil e no México poderia se limitar a somente US$ 1,5 bilhão e US$ 0,4 bilhão, respectivamente

• Ambos os países estariam limitados ao tratamento de 3 milhões e 1,7 milhão de pacientes a mais e não o potencial total de 43,9 milhões

• O aumento no PIB poderia se ater a US$ 0,5 bilhão no Brasil e US$ 0,9 bilhão no México, em comparação com o projetado de US$ 12,9 bilhões se a adoção atingir o seu potencial em 2017

 

2013-05-23T00:00:00-03:00