Interoperabilidade entre sistemas pode mudar situação da saúde no país

A tecnologia tem sido uma grande aliada para uma melhor gestão das instituições de saúde em todo o mundo. Várias delas aderiram a sistemas que auxiliam no controle dos atendimentos, do estoque, do faturamento e de diversas outras áreas que envolvem a gestão hospitalar. Por essa razão, uma boa parte conseguiu reduzir os custos e melhorar significativamente o atendimento oferecido aos pacientes.
Desde que os sistemas de gestão hospitalar começaram a ser usados, houve sensíveis melhorias para as instituições e também para seus usuários. Apesar de serem evoluções significativas, a tecnologia pode colaborar ainda mais para que haja uma verdadeira revolução no sistema de saúde brasileiro. A aplicação da interoperabilidade entre sistemas de saúde é o futuro, mas os primeiros passos já podem ser dados agora.

O conceito diz que interoperabilidade é a capacidade de dois ou mais sistemas de gestão hospitalar diferentes trocarem informações entre si e utilizarem os dados trocados. Deste modo, não importa qual o ERP implantado em determinada instituição, as informações estarão disponíveis para todos os estabelecimentos que formam a rede de saúde. Para que isso seja possível, é necessária a criação de um padrão de linguagem que permita a interoperabilidade.
“Para esta possibilidade se tornar realidade no Brasil, o governo deve estabelecer o formato e definir quais as informações deverão ser trocadas entre as instituições de saúde. A partir disso, as empresas que desenvolvem os sistemas de gestão hospitalar poderão fazer adequações técnicas para se enquadrarem às regras impostas. Isso garantiria uma mudança profunda na forma como os profissionais de saúde enxergam a assistência ao paciente, potencializando seu trabalho e reduzindo os custos. Um exemplo bem sucedido de interoperabilidade é o padrão TISS que permite a troca de informações entre prestadores e operadoras de saúde”, ressalta a gerente de marketing da Wareline, Paula Usier.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é o órgão governamental que tem o poder para propor e criar o padrão para interoperabilidade. Na listagem que apresenta os eixos e projetos da agenda regulatória 2013/2014, disponível no site da ANS, existe uma proposta (6.1) que apresenta a criação de alternativas que permitam uma visão geral e longitudinal das informações em saúde, mas ainda sem data para que o trabalho comece a ser desenvolvido.
Atualmente, o HL7 (Health Level Seven), uma organização sem fins lucrativos que produz protocolos para troca, gerenciamento e integração de informações pertinentes aos cuidados com pacientes, é uma das principais entidades desenvolvedoras de protocolos para o segmento de tecnologia em saúde. Seus padrões também abrangem as áreas de administração, avaliação, e distribuição dos serviços de saúde. 
“A interoperabilidade permite que os dados de um paciente atendido em um hospital de São Paulo, por exemplo, fiquem disponíveis para os médicos em hospitais do Rio de Janeiro mesmo que as instituições pertençam a empresas diferentes que utilizem sistemas diferentes. Os benefícios de um projeto com essa abrangência vão muito além do ganho econômico, pois será capaz de alterar a forma como a assistência é prestada hoje no país. Os médicos terão ao seu alcance o histórico clínico do paciente, com ele poderão identificar padrões e relacionar diagnósticos atuais com doenças e condições prévias, ampliando a base de conhecimento e melhorando a medicina como um todo”, explica Paula.
Além disso, essa troca de informações também proporcionaria mais segurança aos pacientes, pois todo o histórico médico estaria acessível. Portanto, não importaria em qual hospital uma pessoa alérgica a penicilina, por exemplo, fosse atendida, pois outras alternativas seriam consideradas para curá-la. Isso significa que a interoperabilidade também é uma aliada para a redução de erros médicos.
A gestão financeira das instituições também seria afetada positivamente pela adoção da interoperabilidade, promovendo a economia de recursos. Afinal, os exames que já foram realizados pelo paciente em outra unidade de saúde há poucos dias não precisam ser repetidos, em muitos casos. Os resultados desses procedimentos também podem estar disponíveis para várias instituições, poupando tempo e dinheiro.
“Acredito que a criação de um padrão que viabilize a interoperabilidade e permita uma revolução tecnológica, pode refletir em uma melhora geral do panorama da saúde nacional”, completa Paula Usier.

2013-03-12T00:00:00+00:00