Internet chega a 99% dos hospitais privados brasileiros

2014-12-10T00:00:00-02:00 10/12/2014|
No Congresso Brasileiro de Informática em Saúde (CBIS), Fábio Senne, do CETIC.br e NIC.br, com participação da professora Heimar de Fátima Marin, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), apresentaram a pesquisa TIC Saúde e os desafios para a realização de projetos a níveis nacionais em tecnologia na saúde. Ele foi realizado pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br) e pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).
O TIC Saúde é uma pesquisa que pretende analisar, ao longo dos anos, a presença de tecnologias da informação e comunicação na saúde no Brasil e, no futuro, fazer comparações internacionais. Para iniciar, o conceito de e-Saúde é o uso de tecnologias da informação e comunicação para tratar os doentes, realizar pesquisas, educar os alunos, acompanhar e monitorar doenças.
Essas tecnologias em saúde são fundamentais para garantir e apoiar a provisão de serviços com qualidade, promovendo eficiência e continuidade do cuidado. Desde 2005 existe uma comunidade global, a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, que determinou metas acordadas internacionalmente para conexão de centros e hospitais até o ano de 2015.
No Brasil, este é o primeiro estudo com amplitude de coleta e análise em e-Saúde para estabelecer um grupo de indicadores comparáveis internacionalmente, tendo como referencial o Survey Model da OCDE. Os objetivos não se concentram simplesmente na área de diagnóstico de problemas, seja na identificação de funcionalidades ou de estrutura existentes, mas no encontro de soluções que possam resolver os problemas de informação na saúde, como promover o melhor uso de recursos tecnologias para benefícios do paciente/cliente, do profissional e da comunidade.
São realizados questionários com médicos e enfermeiros e as perguntas seguem duas grandes linhas: A avaliação da penetração das TIC nos estabelecimentos de saúde e a apropriação das TIC por profissionais de saúde. 
Detalhes
Em 2013, foram avaliados 1685 estabelecimentos de saúde com 4180 médicos e enfermeiros. A população alvo é composta pelos estabelecimentos de saúde brasileiros. Eles foram escolhidos para serem questionados por um sorteio entre estabelecimentos de saúde públicos e privados cadastrados no CNES, excetuando-se as exclusões (estabelecimentos inelegíveis), como estabelecimentos pessoa física, estabelecimentos sem médicos ou enfermeiros, consultórios isolados, estabelecimentos provisórios ou de campanha, unidades móveis e secretarias de saúde ou outros órgãos administrativos. 
Dentre os resultados, a presença da internet em estabelecimentos públicos chegou a 87%, enquanto de 97 a 99% das unidades privadas estão conectadas. Quanto à TI, cerca de 41% relataram ter um departamento dedicado para a área. 
Segundo Marin, os laboratórios são as instituições com maior quantidade de registros eletrônicos, já que seus resultados, em geral, são mais fáceis de serem padronizados e tabelados. Dentre as modalidades registradas de modo eletrônico, temos, em primeiro lugar, os dados cadastrais e, segundo, os resultados de exames laboratoriais, dado que vai de acordo com a informação de estabelecimentos mais ativos. 
A implementação do TIC em saúde tem sido difícil por várias razões, já que a implementação do projeto nem sempre soluciona o problema dos médicos, há pouca atenção nos fluxos de trabalho do ponto final; os benefícios advêm para outros/futuros gestores, o que dificulta a adoção; faltam médicos e enfermeiros com treinamento em informática.
As prioridades globais deste tipo de projeto são criar e rastrear boas práticas de informática em saúde, com recursos de integração e interoperabilidade. é necessário, ainda segundo Heimar, que haja uma antecipação das necessidades, que o dado e a informação estejam disponíveis antes que os profissionais tenham a necessidade do uso.
Ficam ainda algumas questões para serem respondidas, como quais são os fatores principais para adoção de RES ou TIC na saúde; a aplicação destes resultados em outros países ou, ainda, como utilizar estes resultados para criar um trabalho entre indústria e academia. 
Fonte: Saúde Business 365