Internações por insuficiência cardíaca poderiam ser reduzidas

2014-07-15T00:00:00-03:00 15/07/2014|
Mais da metade das pessoas internadas por insuficiência cardíaca voltam a ser hospitalizadas em até seis meses após a alta. Essa é apenas uma das informações do primeiro registro brasileiro de insuficiência cardíaca, que também revelou que em 40% das situações, o retorno desses pacientes ao hospital poderia ser evitado caso seguissem uma dieta com baixo sódio e tomassem a medicação recomendada regularmente. 

O estudo contou com a participação de aproximadamente 1.200 pessoas que estavam internadas em instituições privadas e públicas de diversas regiões do país. A metodologia abrangeu a análise de prontuários e entrevistas com pacientes e profissionais da saúde. Todo o levantamento será divulgado em agosto, durante a realização do Congresso Brasileiro de Insuficiência Cardíaca. 
Outro dado encontrado no levantamento foi a taxa de mortalidade desses pacientes dentro do hospital: 12,8%. Esse número é três vezes maior se comparado com a média de estudos da Europa e dos Estados Unidos. Ainda analisando os números relativos à mortalidade, constatou-se que, no Brasil, o índice de mortes nos hospitais públicos é o dobro do registrado nas instituições privadas. Anualmente, o SUS (Sistema único de Saúde) contabiliza cerca de 300 mil internações e 23 mil mortes no país por insuficiência cardíaca. 
De acordo com a médica e coautora do estudo, Sabrina Bernardez, falta mais diálogo entre os médicos e os pacientes quanto às orientações após a alta. O levantamento mostrou que apenas 35% dos profissionais da saúde passam as recomendações sobre a forma de consumo dos medicamentos. Segundo Sabrina, não basta entregar a prescrição, pois algumas pessoas não sabem ler ou erram na interpretação da receita. 
A pesquisa também identificou que a falta de acesso a medicamentos como betabloqueadores, por exemplo, também é um problema para os pacientes. No entanto, os médicos apontam que se esquecer de tomar os medicamentos e exagerar no sal também são problemas comuns entre os pacientes com insuficiência cardíaca.