Humanidade 2.0 exigirá sistema de saúde reinventado

2013-09-24T00:00:00-03:00 24/09/2013|
A tecnologia aplicada ao desenvolvimento da saúde, desde o uso de equipamentos de última geração, passando pelo de softwares hospitalares, já é uma realidade em grande parte das instituições. De acordo com especialistas, no futuro, a tecnologia poderá provocar rupturas na área médica pelo uso da nanotecnologia, por exemplo, sendo mais uma revolução causada pelo avanço da ciência. Veja abaixo:

Não é ficção científica: entre as tecnologias que deverão mudar o mundo nos próximos anos estão verdadeiras rupturas na área médica, alcançadas por meio da nanotecnologia, da biotecnologia, da neuroergonomia e da medicina avançada. Surgirá o “ser humano 2.0”, aprimorado por meio de terapia genética e implantes robóticos, entre outros recursos. A previsão é do professor Paulo Vicente Alves, da Fundação Dom Cabral, keynote speaker do Saúde Business Forum 2013.

Na palestra “O futuro em quatro atos”, proferida nesta sexta-feira (20), Alves tentou prever, utilizando um modelo matemático da história humana a partir de 1500, como será o século XXI. Este modelo combina duas formas de ver a história: ciclos hegemônicos, ou de globalização, que determinam a potência (ou potências) político-econômica vigente, e tecnológicas, ou ciclos de Kondratieff, que determinam as crises cíclicas do sistema capitalista e como as tecnologias as determinam e as encerram.

Para Alves, através da análise dos números, haverá um crise na década de 2020 sucedida por uma nova onda de tecnologia, ou um novo ciclo de Kondratieff. Essas tecnologias podem ser relativas a biorobótica. “Por volta de 2060 os computadores serão mais capazes que os seres humanos. Não fará mais sentido sermos humanos puros. Seremos híbridos para adquirir mais capacidade de memória. Lentamente a humanidade vai se tornando 2.0 e alcançando a fronteira da ‘transumanidade’”, disse.

Isso levará a humanidade a encarar grandes dilemas éticos e morais: quando homens e máquinas começam a ficar tão próximos que inteligências artificiais passam a ter direito de voto, por exemplo?

Outra questão fundamental é o aumento da expectativa de vida média. Se em laboratório já é possível triplicar a expectativa de vida de um rato, o que faremos quando os seres humanos passarem a viver mais de 200 anos? “Tem gente que acredita que o envelhecimento é uma doença prestes a ser vencida. Os pessimistas falam em 200 anos, os otimistas em imortalidade”, ponderou o professor. “Triplicar expectativa de vida vai exigir um novo sistema de saúde; a medicina do futuro é drasticamente diferente da atual.”

Sistemas de previdência também entrarão em crise, e Alves acredita que uma solução que aumente o tempo de contribuição é politicamente impossível, levando os governos a imprimir mais dinheiro para cobrir as despesas. “Isso vai gerar inflação? Sim. Pode não ser a melhor solução econômica, mas é a política”, disse.

Apesar de utilizar um modelo baseado em dados matemáticos e históricos concretos, o professor é categórico ao dizer que suas previsões podem não se concretizar. “E me reservo ao direito de mudar de opinião a qualquer momento”, disse. Elas são inclusive francamente pessimistas para o Brasil. O País investe pouco em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias (P&D), inclusive na área médica, o que o coloca em posição de desvantagem frente a potências como EUA e Alemanha, por exemplo, que devem liderar a inovação tecnológica no século XXI.

“A oportunidade favorece a mente preparada: o mundo vai quebrar, entrar em crise. Quem não se preparar para as novas tecnologias também quebrará”, disse.

Fonte: Saúde Web