Hospitais buscam novos nichos e ganhos de escala para diluir os custos

Em um cenário no qual a saúde suplementar perdeu quase 800 mil vidas, elevar a eficiência dos espaços e tentar alternativas de receita são palavras de ordem para que não seja preciso demitir.
A perda de 1,5 milhão de postos de trabalho em 2015 já impactou o mercado de planos de saúde empresariais e agora preocupa hospitais privados. Para conseguir superar o momento, focar no paciente particular, adotar práticas de governança e investir em infraestrutura para ganho em escala são as alternativas.
De acordo com a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), no ano passado a taxa de despesas totais teve crescimento de 9,6%, contra alta de 5,4% da receita líquida total. Se considerada a inflação no período, a receita teve queda de 3,3%.
Caso o cenário macroeconômico continue a piorar, o presidente da Anahp, Francisco Balestrin, aponta que o setor poderá ver demissões e margens ainda mais apertadas. “Não tem muita opção. O que os hospitais devem fazer é procurar acreditação para conseguir melhorar seus processos e lamentavelmente mandar gente embora.”
De acordo com ele, existem dois possíveis cenários para o setor. Em um o mercado deverá reduzir no outro terá aumento de desemprego. “As coisas estão muito difíceis e já vimos demissões acontecendo. Os hospitais devem fazer os ajustes”, coloca. Ainda de acordo com o anuário da Anahp, divulgando ontem durante a Hospitalar 2016, o crescimento da taxa de contratação dos hospitais membros passou de 11,6% 4,1% em 2015.
Na contrapartida, a expectativa é que a volumetria – volume de atendimento – se mantenha. “Quem tem saído é o pessoal mais jovem”, explica Balestrin. Com isso, a perspectiva é que com a saída do paciente mais saudável, as carteiras dos planos de saúde tenham mais dificuldade de diluir a sinistralidade.

Estratégia
No Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, as estratégias têm sido aproximação das operadoras de saúde na negociação e ganhar receita com escala. Em 2015, o complexo realizou um grande investimento em infraestrutura e ampliou a capacidade de atendimento. Na área de oncologia, por exemplo, o hospital conseguiu aumentar em 35% o número de pacientes. “Foi feita uma reforma e ampliação, mas sem precisar mudar a área do hospital. Com esta estratégia reduzimos os custos”, explica o diretor administrativo do complexo, Dario A. Ferreira Neto.
No Hospital Bandeirantes, a mudança foi mais agressiva. “Daqui a um mês e meio devemos inaugurar o novo pronto atendimento”, comenta. Em 2016, a expectativa é de atingir alta de 8% do faturamento, na comparação com o ano anterior. Já os investimentos para o período somam R$ 6 milhões.

Perspectivas
Para o presidente da Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Fehoesp),Yussif Ali Mere Junior, a perspectiva é um pouco melhor. “Deve haver demissões, mas acredito que serão muito baixas, porque o setor é de mão de obra intensiva.” No entanto, ele acredita que cortar custos e diminuir o número de leitos trabalhados seja uma forma de conseguir manter as operações do hospital.
Entre os mais de 46 mil associados da entidade, o faturamento de 2015 somou R$ 161,9 bilhões, e previsão agora é de estagnação.
Para ele, além dos índices de inflação, existe uma forte pressão das operadoras para reduzir custo. “Mas acaba não sendo uma redução de custo. O que tem ocorrido é que os hospitais tiveram que diminuir suas margens.”
Algumas medidas que podem ajudar ambos os lados é o compartilhamento de risco – negociação de um pacote com os prestadores de serviço por um procedimento específico sem limite de uso – e o investimento em cuidado primário.

Contrapartida
Em um ano que as margens diminuíram, o Hospital Beneficência Portuguesa superou os problemas financeiros. De acordo com o superintendente executivo de operações do hospital, João Fábio Silva, em 2013 o hospital teve prejuízo de R$ 70 milhões e em 2015 o faturamento foi de R$ 32 milhões. Se por um lado, o downgrade das carteiras de planos de saúde – mudança para carteiras mais baratas – tem colocado hospitais mais focados nas classes altas, por outro, o executivo conta que a unidade São Joaquim do Beneficência tem recebido esse público. “Temos assistência de ponta, mas ainda somos vistos como intermediário. O que neste cenário foi bom”, conta.
Além disso, Lopes explica que mantido a receita com pacientes particulares – que têm ticket médio maior. “m volumetria não é tanto, mas em receita sim”, diz.
A estratégia tem sido ofertar para todos os públicos uma unidade que se aplique a diferentes realidades, no Hospital São José, há grande número de pacientes particulares. Para reter este público, a estratégia é reter médico. “Não se trata apenas do plano, mas o paciente escolhe pelo médico”, finalizou o executivo, ao DCI.
Fonte: DCI
2016-05-18T00:00:00-03:00