Governo tem que se preocupar com a saúde, afirma presidente da CMB

2014-05-21T00:00:00-03:00 21/05/2014|
“O Governo tem que se preocupar com a saúde”, disse Edson Rogatti, presidente da CMB (Confederação das Misericórdias do Brasil), em visita no final de Abril a Dourados e aproveitou para ter uma breve reunião com dirigentes de hospitais filantrópicos do Cone Sul do Estado, na sede da Febesul (Federação dos Hospitais Filantrópicos de Mato Grosso do Sul), da qual participaram também conselheiros destas instituições.
Adiantou que muitos governantes já perceberam que sem os hospitais filantrópicos não conseguem garantir saúde para a população, porque o mesmo procedimento na rede pública sai por três vezes mais caro que nos filantrópicos, e tem casos em que somente os filantrópicos conseguem dar uma resposta satisfatória à população. Mesmo ciente disso, o governo ainda não adotou medidas que visam valorizar o trabalho dos estabelecimentos filantrópicos, disse.
O que acontece hoje é que a tabela do governo não cobre nem mesmo o custo de cada atendimento. Para comprovar isso ele acrescentou que em qualquer hospital particular um parto não sai por menos de R$ 3 mil, mas o SUS só repassa aos filantrópicos R$ 395,00. Esse é apenas um exemplo dado pelo presidente das Misericórdias do país, ao assegurar que tem casos ainda mais alarmantes, ao reforçar que o repasse precisa no mínimo cobrir o custo e isso não está acontecendo.
Entretanto, Rogatti disse acreditar que as coisas podem mudar, ao lembrar que o Governo recebeu um documento elaborado por congressistas, com a participação de lideranças de MS que aponta a urgente necessidade de remunerar melhor os hospitais filantrópicos e a grande contribuição no propósito de assegurar saúde a população. O ministro da Saúde e a presidente do país reconheceram a importância do pleito e a necessidade de corrigir essas distorções que tem causando o endividamento dessas instituições.
Edson Rogatti considera que é preciso maior conscientização por parte de todos os segmentos da sociedade, a começar pelos governos federais, estaduais e municipais que, na verdade cabe, a responsabilidade de garantir saúde de qualidade à população. O dirigente das Confederações das Misericórdias ressalta, no entanto, que tais hospitais, mesmo no vermelho, estão de portas abertas porque o poder público não consegue fazer a vez dele.
Reforçando a tese de que ainda há esperança, ele destacou a postura do Governo de São Paulo que, reconhecendo a importância dos hospitais filantrópicos, está injetando este ano no orçamento da saúde mais de R$ 545 milhões para cobrir a tabela do Sistema único de Saúde, e com isso se revela um grande parceiro de nossas ações, porque também entende que a planilha do SUS fica aquém do mínimo necessário para cada procedimento.
“Se os demais Estados fizessem o mesmo, certamente a população teria melhores serviços, porque não é possível fazer saúde apenas de palavra e em época de eleições, a saúde pública precisa ser prioridade de fato e de direito em todo tempo, porque envolve a maioria da população que não tem acesso à rede particular, e é justamente essa parcela mais sofrida que é acolhida pelos hospitais filantrópicos que hoje passam por dificuldades devido à defasagem da tabela SUS”.
Ele revelou que faz tempo que os hospitais estão arcando com 40% dos custos de cada procedimento prestado aos pacientes do Sistema único de Saúde e que a tabela do governo cobre apenas 60%, e isso tem provocado um estrangulamento na receita dos filantrópicos que acumulam prejuízos superam a casa dos R$ 16 bilhões. O Governo precisa rever essa situação, remunerando os prestadores de serviços de forma justa.
Citou dados do próprio relatório elaborado por técnicos da Câmara e de posse do governo federal que aponta que é preciso um incremento de pelo menos 50%. O documento comprova que em todos os casos onde Governos e municípios assumiram a saúde pública, os custos dos mesmos procedimentos que eram realizados nos hospitais filantrópicos triplicaram, ou seja, eles gastam mais e atendem menos, e quem acaba perdendo é a população.
O presidente da Confederação das Misericórdias disse que esses dados são significativos, e reforçam que atualmente é impossível fazer saúde no Brasil sem os hospitais filantrópicos.
Por sua vez, a presidente da Febesul, Rosa Conceição comentou que mesmo com essas dificuldades que são de conhecimentos de toda a população e governos, os hospitais filantrópicos de Mato Grosso do Sul tem dado exemplo de eficiência e respeito no trato da saúde da população, e “espero que as autoridades busquem meios para nos ajudar nessa batalha pela vida”.

Fonte: CMB