Em entrevista, presidente da CMB fala sobre expectativa do congresso

Na próxima semana começa o 26º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, que terá como tema central “Parcerias estratégicas para enfrentar a crise” e reunirá entidades de todo o país e seus representantes. Para contar sobre a expectativa sobre o evento e abordar as mudanças necessárias no setor, entrevistamos Edson Rogatti, Presidente da Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB).

Confira!

A situação atual do país é preocupante em todas as esferas. No caso da saúde, como o cenário atual é determinante para tornar as parcerias ainda mais urgentes e estratégicas para o setor filantrópico? Quais os principais desafios para implementá-las? Quais os resultados esperados?


Edson Rogatti: Primeiramente, não há como desconsiderar os contornos do quadro político atual. Enquanto não se resolver em definitivo a questão do impeachment, todas as conjecturas e projeções revestem-se de especulações. O que é certo e inegável é que, seja qual for o desdobramento desse processo no Senado Federal, a escassez de recursos ainda prevalecerá por um bom período. Em termos de resultados esperados, nossas necessidades e reivindicações estão explicitadas há muito tempo: equalização da remuneração pelos serviços que nossos hospitais prestam, pelos respectivos custos. Se persistir com esse modelo perverso que está vigorando, o cenário de sucateamento dos filantrópicos será agravado com mais hospitais fechando. Quero ressaltar que, sem os serviços prestados pelos filantrópicos, o SUS não se sustenta neste país. Ainda somos o maior e o melhor parceiro do governo na área da saúde hospitalar.

Qual a expectativa com o evento na busca por soluções factíveis para o setor?


Edson Rogatti: A expectativa com o evento é a melhor possível. Mesmo vivendo em um cenário de muitas dificuldades, nossas lideranças não tem se furtado a buscar caminhos e soluções em conjunto. Esperamos mais de 500 congressistas, para que, em conjunto com representantes do Ministério da Saúde e com parceiros estratégicos, possamos descobrir caminhos e viabilizar soluções. Além disto, comemoraremos o JUBILEU DAS MISERICóRDIAS, instituído pelo Papa Francisco. No eixo temático, o evento promoverá debates com especialistas, representantes das diversas áreas da saúde, como o Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, Parlamentares, Gestores Públicos da Saúde, além de entidades parceiras da CMB. Esperamos mobilizar todas essas forças da sociedade organizada para sensibilizar a área financeira do Governo Federal a direcionar mais recursos para o atendimento da população brasileira.


No dia 15 de agosto é comemorado o Dia Nacional das Santas Casas de Misericórdia. Na sua percepção, o que de mais importante há para comemorar?


Edson Rogatti: é importante citar que temos encontrado maior abertura para o diálogo, tanto no Ministério da Saúde, na pessoa do Ministro Ricardo Barros, quanto na área econômica, com pessoa do Ministro Henrique Meirelles. As dificuldades vêm sendo expostas a eles e temos encontrado maior receptividade. Reconhecendo que o momento econômico do país é difícil, temos levado a eles que nossos hospitais passam por dificuldades que não foram criadas por nós, mas, sim, por políticas equivocadas da área federal no trato da saúde pública. Ou encaramos a saúde pública como dever do Estado, e os hospitais filantrópicos como instituições viabilizadoras das políticas do SUS, ou veremos a crise atual crescer para dimensões de difícil resgate. Temos que estar e ser otimistas, pois acreditamos que o país tem capacidade de superar seus dilemas e crises.

Edson Rogatti é presidente da CMB

2016-08-23T00:00:00-03:00