Devagar, médicos aceitam troca de informações em saúde

Uma pesquisa realizada pelo HIMSS Analytics detectou que, aos poucos, os médicos estão aceitando algum tipo de troca de informação em saúde por meio dos sistemas de gestão hospitalar. Mas, ainda de acordo com o levantamento, existem diferenças de objetivos entre os grande hospitais e as clínicas de pequeno e médio porte.

Quase metade das clínicas médicas planeja aceitar algum tipo de troca de informações em saúde (HIE), de acordo com a 5ª pesquisa anual de sistemas de gerenciamento de práticas ambulatórias e EHRs, realizada pelo HIMSS Analytics, a área de pesquisas da Health Information Management and Systems Society (HIMSS). No entanto, muito menos clínicas participam de fato, hoje de HIE, de acordo com as descobertas.

Entre as 846 práticas médicas que responderam à pesquisa, estavam hospitais particulares e consultório autônomos de todos os tamanhos, desde consultórios onde trabalha apenas um médico até grupos de 100 ou mais médicos. 46% dos entrevistados planejam aceitar HIE, sendo que 19% preferem a troca de informações estaduais, 16% querem que a HIE seja parte do hospital ou do sistema de saúde e 11% endossam HIE regional. 37% disseram não ter qualquer plano. Na categoria “outro”, 17% eram práticas que já participam de trocas e entrevistados ainda incertos, contaram os executivos da HIMSS à InformationWeek Healthcare.

Dos consultórios particulares, apenas 39% disseram que vão se juntar a uma HIE, 46% não têm planos. Em contraste, 62% dos grupos de hospitais disseram que suas organizações planejam participar das trocas, e apenas 14% disse que não. Notavelmente, 25% das práticas pertencentes a hospitais esperam ser parte de um sistema HIE do hospital, versus 13% dos consultórios autônomos.

Brendan Fitzgerald, diretor de pesquisa da HIMSS Analytics, disse que isso é parte do motivo das grandes diferenças entre os dois tipos de prática. Além disso, observou ele, “muito da tomada de decisão nessa área não está nas mãos das práticas individuais pertencentes a hospitais. O hospital tomaria essa decisão. Em relação aos consultórios autônomos, eles mesmos decidem se querem ou não se engajar em HIE”.

De modo geral, a porcentagem de clínicas que têm planos para HIE foi um pouco mais alta do que em 2012, quando totalizou 43%.

Algumas outras descobertas importantes do relatório da HIMSS Analytics:

– Clínicas particulares estão usando uma grande variedade de EHRs e estão considerando mais EHR do que os grupos de hospitais.

– A Epic é a fornecedora de EHR com maior fatia de mercado entre as práticas pertencentes a hospitais, com 33%. No setor autônomo, a Epic tem apenas 4% da fatia do mercado e a eClinicalWorks é a líder, com 11%.

Fitzgerald observou que as práticas pertencentes a hospitais têm prioridades diferentes do que as clínicas particulares, incluindo a habilidade de se comunicar entre locais de atendimento. Portanto, elas exigem mais funções avançadas em seus EHRs.

E no mercado geral de EHR para ambulatório, acrescentou ele, “ainda existe um nível alto de fragmentação”.

A pesquisa mostrou que 1/3 das práticas planeja comprar um novo EHR, fazer upgrade do sistema ou substitui-lo. Mas, apesar das evidências de que muitos médicos estão insatisfeitos com os EHRs atuais, apenas 6% estão pensando em substitui-los, segundo o relatório.

Independentemente de as práticas serem pertencentes a hospitais ou autônomas, Fitzgerald disse que “elas desprenderam muito tempo e esforço para essas compras de EHR, e elas querem vê-los funcionando. Dado o esforço, eu não acho que muita gente esteja interessada na possibilidade de substituir e comprar um novo sistema”.

Dentro de categorias de tamanho, existem diferenças notáveis no que direciona compras de EHR. Por exemplo, 35% das clínicas com mais de 100 médicos viram que a habilidade de trocar informações de pacientes entre instalações é o principal direcionador, enquanto era o principal objetivo de apenas 17% de todas as clínicas. Tornar a clínica mais eficiente era mais importante para as clínicas com até 10 médicos do que para os entrevistados em geral.

“As práticas menores querem mais eficiência, mas as práticas maiores, que atendem grandes comunidades, têm parâmetros diferentes”, disse Fitzgerald. “Elas querem ser capazes de se integrar automaticamente com grandes organizações. Isso tem a ver com fluxo de trabalho do dia a dia e com a forma como eles utilizam a solução de EHR”.

Há uma variedade maior de fornecedores na área de sistemas de gerenciamento de prática (MP) do que na área de EHR. Fitzgerald disse que isso está relacionado ao fato de que a maioria das práticas tem sistemas de PM a mais tempo do que EHR. Portanto, quando eles compraram EHR, muitos mantiveram os sistemas PM e conectaram os dois sistemas por meio de interface em vez de comprar uma solução de integração.

Blaine Newton, VP sênior da HIMSS Analytics, acrescentou que muitas práticas esperaram para atualizar seus sistemas de PM enquanto estavam ocupados implementando EHR. Agora estão atualizando, “e vemos um aumento nas ferramentas de PM”, disse ele. Nenhum dos executivos acredita que a transição iminente ao ICD-10 tenha sido a principal força motivadora por trás desses investimentos.

Fonte: Saúde Web

2013-06-26T00:00:00+00:00