Compliance na Saúde: um aliado para o gestor hospitalar

João é gestor de um hospital. Sua rotina é atribulada, são reuniões com fornecedores e parceiros, tomadas de decisões que impactam na vida de seus colaboradores e também no atendimento prestado à população. Em um dia especialmente movimentado, ele recebe a notícia de que finalmente haviam descoberto quem estava por trás dos sumiços de medicamentos da farmácia da instituição. Era um colaborador que, pelo menos uma vez por semana, furtava alguns medicamentos controlados antes de ir embora.

Intrigado, João pensou: “Tem Lei para lidar com isso, eu sei. Mas será que eu poderia ter feito algo diferente, que ajudasse a evitar esta situação?”. A resposta para João é simples. Sim, é possível minimizar as chances disso acontecer.

 

A história acima, apesar simples, retrata uma situação bastante comum em instituições de saúde. Segundo Marcos Boscolo, especialista em gestão estratégica e sócio na KPMG, 47% dos fraudadores não usam tecnologia para furto ou qualquer outro desvio de conduta, o que pode dificultar ainda mais o monitoramento e controle deles. E uma das alternativas mais efetivas para evitar que isso ocorra é a implementação de um mecanismo interno de Compliance, uma atividade regulatória e de prevenção a fraudes.

 

Na prática, é o conjunto de disciplinas para fazer cumprir as normas legais e regulamentares, as políticas e as diretrizes estabelecidas para o negócio e para as atividades da instituição ou empresa, bem como prevenir, detectar e tratar qualquer desvio ou inconformidade que possa ocorrer.

 

E é importante ressaltar que, para que tenha resultados efetivos, devem enfatizar e incentivar comportamentos éticos de equipes, não focando apenas em instituir regras. A ideia é um programa que permita prevenir, identificar e dar uma resposta a possíveis casos de desvios de norma, como o que aconteceu no hospital da nossa história.

 

Os administradores hospitalares, como João, devem criar políticas de compliance de acordo com o tamanho da instituição que comandam, levando em conta sua cultura, as políticas para gestão de risco e seus processos internos.

 

 

Quem deve compor o time de compliance?

Quando falamos em compliance em hospitais, apesar de comumente ser definido pela alta gestão e conselheiros, o código de ética de uma instituição precisa permear todos os campos dela e, assim, deve considerar particularidades de cada área para ser efetivo e sair do papel. Sendo assim, precisa unir profissionais de diferentes setores para sua composição e, depois de definido, é necessário compartilhar essas regras e códigos de maneira assertiva para todos que fazem parte do hospital. Independente de quantas pessoas façam parte do departamento, é fundamental que todos os colaboradores entendam que também é papel deles indicar ações que possam estar em inconformidade com as práticas éticas estabelecidas.

Pode ser criado um departamento que garanta a conformidade das ações de todos da equipe, contar com um profissional específico para cuidar de compliance ou contratar uma assessoria externa para agir em apoio à alta direção.

 

Gestão hospitalar

Pensar em gestão é pensar em compliance. No que diz respeito à área da saúde, em que empresas e instituições precisam cumprir um grande volume de regras e regulamentos em todos os aspectos do negócio, encontrar um equilíbrio entre o que o ambiente regulatório exige e o que a instituição tem como cultura e como premissas junto aos seus colaboradores é desafiador. Assim, a lógica é ter um programa que permita identificar, analisar e atenuar riscos.

Compliance pode, também, ajudar na gestão de custos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 20% e 40% do gasto em saúde é desperdiçado com ineficiência. Quando há uma gestão focada e controle efetivo dos processos e regras, há mais controle financeiro, os investimentos são direcionados exatamente para onde eles precisam ir, há menos fraudes e desvios.

 

Papel do gestor hospitalar

Com um papel de liderança, ele exerce uma influência positiva nos demais, que está relacionada ao aculturamento, ao treinamento, ao exemplo constante e à promoção dos valores na instituição que ele administra.

 

O que esperar de melhorias no seu hospital?

  • Destinação lícita de recursos e melhor gestão financeira;
  • Cumprimento da Lei e saúde moral da instituição: reduz chances de práticas que possam representar não-conformidades;
  • Colaboradores mais engajados e conscientes da importância de seguir os códigos de ética estabelecidos;
  • Melhores índices de eficiência, eficácia e confiabilidade das informações: que são essenciais para tomadas de decisão;
  • Boa reputação no mercado;
  • Melhor relacionamento com stakeholders;
  • Atendimento mais humanizado e com foco na segurança do paciente;
  • Estabelecimento de diretrizes e limites para atuação ética de médicos.

 

Quer conhecer um pouco mais sobre gestão hospitalar? Acesse!

2017-10-04T16:45:28-03:00