Acreditação caminha a passos lentos no Brasil

Tanto as instituições de saúde públicas quanto as particulares, passam por uma crise com relação à confiança dos pacientes na qualidade de seus serviços. A demora para a marcação de consultas e exames em ambos os casos revoltam os usuários que não hesitam em demonstrar sua insatisfação nas redes sociais e sites de reclamação. Diante desse cenário, a busca constante pela qualidade dos serviços prestados e do atendimento mais humanizado e eficiente se torna uma necessidade para todo o sistema de saúde do Brasil.

A acreditação hospitalar é uma maneira de melhorar os processos internos e garantir a excelência em todos os âmbitos das instituições de saúde. No Brasil, ainda são poucas as instituições acreditadas. De acordo com estimativas da ONA (Organização Nacional de Acreditação), menos de 10% dos hospitais possuem a certificação. Não existem dados oficiais sobre o número de instituições acreditadas.

O fato é que não bastam apenas recursos e vontade da administração em acreditar o hospital. O processo para se enquadrar às regras para receber a certificação pode ser lento e demanda atenção de toda a equipe, de todos os setores. O fator humano é essencial em todas as etapas e essa parece ser uma das principais dificuldades.

Um levantamento realizado pela Wareline em parceria com a empresa Netquest, especializada em pesquisas online, mapeou a percepção dos profissionais de saúde sobre a acreditação. Participaram do levantamento 201 profissionais de instituições de todo o país. Ao serem questionados sobre qual a principal dificuldade para a acreditação, a maioria, 41%, respondeu que é adequar as especificações necessárias à cultura brasileira.

“Os profissionais de saúde costumam ser resistentes a mudanças nos protocolos e processos, o que é natural, mas dificulta o processo de acreditação. Para implantar uma cultura de segurança é necessário ter a participação ativa da liderança e de toda a equipe, um trabalho contínuo e multidisciplinar”, explica a superintendente da ONA, Maria Carolina Moreno. Os participantes da pesquisa também consideram outros fatores no momento de pontuar as dificuldades para a certificação, como: adequação do hospital em relação às especificações (38,3%); criação de uma cultura de registro e de formalização dos processos (28,9%) e criação de uma cultura de qualidade no hospital (34,3%).

Existem alguns motivos que, de acordo com os respondentes, podem ser considerados empecilhos para o início de um plano que visa a acreditação. Mais da metade, 50,7%, citou como determinante a falta de verba para investimento. Falta de tempo para mudar a gestão e construir novos processos ficou em segundo lugar, sendo a escolha de 31,8%. Muitas exigências foi a opção escolhida por 29,3% e falta de interesse foi apontado como motivo por 16,9%.

Entre os profissionais que trabalham em hospitais acreditados, 56,5% consideram que o principal benefício da certificação é o reconhecimento da sociedade e dos pacientes de que a instituição possui qualidade. De todos os participantes da pesquisa, apenas 23% trabalhavam em hospitais acreditados. Outros resultados advindos da acreditação, segundo os dados são: verba para mais investimento em qualidade (19,6%), reconhecimento dos colaboradores (13%), maior poder de negociação na compra de produtos e serviços (6,5%) e reconhecimento de parceiros e fornecedores (4,3%).

Apesar dos resultados dessa questão, a acreditação ainda é pouco conhecida pela população de modo geral. Segundo a superintendente da ONA, o reconhecimento ainda é mais restrito aos profissionais de saúde. O destaque que os planos de saúde dão às instituições acreditadas em sua lista de parceiros e a veiculação de notícias quando um hospital público recebe a certificação, no entanto, têm ajudado a popularizar a acreditação entre o público.

O PL (Projeto de Lei) 126/2012, de autoria do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), tem o objetivo de transformar a acreditação hospitalar em uma obrigatoriedade, tanto para as instituições públicas quanto privadas.  O PL, que está em revisão no Senado desde maio de 2013, não determina qual processo será adotado para a avaliação, pois de acordo com o texto do projeto “existem diferentes caminhos que podem ser trilhados na busca da melhoria da qualidade”. Outra questão que não está definida é de quem será a responsabilidade pelo processo de avaliação.

No Brasil, são diversas as metodologias de avaliação como as normas ISO, Prêmio Nacional de Qualidade, método Balanced Scorecard, entre outras. A certificação ONA é a mais utilizada e considerada a mais completa, pois integra iniciativas de outros processos.

“São diversos os fatores que interferem positivamente e negativamente no processo de adequação para a certificação. Os softwares de gestão hospitalar são ferramentas essenciais ao aperfeiçoamento dos processos e colaboram para a clareza e agilidade da dinâmica das atividades hospitalares”, explica o gerente comercial da Wareline, Raphael Castro.

Benefícios da Acreditação

Os hospitais acreditados possuem linhas de crédito com condições especiais oferecidas pelo Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), garantido pela norma 636/2002.

As instituições podem negociar com as fontes pagadoras com base em dados relativos à qualidade do atendimento.

Elevam a sua credibilidade junto à população e criam um ambiente mais agradável aos colaboradores.

A certificação otimiza e agiliza os processos e cria a cultura de aprimorá-los a cada dia.

Texto publicado originalmente na revista Wareline Conecta – Edição 08 – Dezembro/2014

2015-03-31T00:00:00+00:00