A visão da Fehosp sobre o SUStentáveis

2015-08-14T00:00:00-03:00 14/08/2015|

Recentemente, divulgamos uma entrevista que fizemos com o Secretário Adjunto de Saúde, Wilson Pollara. O tema do nosso bate papo foi o Programa Santas Casas SUStentáveis, também conhecido como SUStentáveis, que consiste em classificar as instituições de saúde integrantes em três níveis diferentes, levando em conta o grau de complexidade dos pacientes e suas características, e destinar a elas recursos adicionais que possam proporcionar mais fôlego financeiro.

Desta vez tivemos a oportunidade de ouvir Edson Rogatti, presidente da Fehosp e CMB, que ressaltou a importância do SUStentáveis para o setor, mas trouxe também a perspectiva de quem recebe esse repasse. Confira as reflexões sobre o funcionamento do programa pelos olhos de quem conhece a fundo a realidade das Santas Casas e Filantrópicos do nosso país.

1) Como você avalia o ano de 2014 em relação ao repasse do governo pelo programa Santas Casas Sustentáveis?

Acho um programa muito bom, pois oferece aos participantes um incentivo de acordo com seu papel na região, mas também cobra o cumprimento de metas. O projeto prevê 3 modalidades: Estruturantes, Estratégicos e de Apoio. Recebem respectivamente 70%, 40% e 10% sobre os valores aprovados de media e alta complexidade hospitalar e ambulatorial.

 2) Recentemente você citou que houve demora para os repasses do programa estadual. A que atribui esse atraso? Quais as consequências para as Santas Casas que aguardam a verba?

Realmente, neste início do ano os repasses ficaram atrasados e a renovação dos contratos só começou a acontecer a partir do 2º trimestre. Obviamente a falta desse recurso traz uma grande preocupação, já que as instituições recebem um grande número de pacientes todos os dias e precisa de verba comprar de materiais e novos equipamentos.

3) Mais do que receber o recurso proveniente do programa, é preciso uma administração adequada por parte dos gestores das Santas Casas para que este capital venha a auxiliar na manutenção da saúde financeira das instituições. Como o Sr. enxerga essa necessidade para o sucesso do programa?

Como diretor-presidente da Fehosp, posso afirmar que o Estado de São Paulo é um exemplo a ser seguido no que diz respeito à capacitação. Temos uma forte parceria com a Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo e, por meio dela, conseguimos oferecer para nossas associadas diversos cursos de atualização sobre os mais diferentes temas. A novidade que tem recebido grande procura é para captação de recursos, ferramenta de extrema importância para os filantrópicos. Disponibilizamos até mesmo pós-graduação em Administração Hospitalar. Visito frequentemente os hospitais e sou testemunha de que essa reciclagem dos profissionais e o conhecimento técnico que eles adquirem nessa oportunidade fazem grande diferença não só para o sucesso do programa, mas para o dia a dia dessas instituições, em diferentes aspectos, desde a administração até o atendimento mais humanizado ao paciente.

4) De que maneira os bons resultados podem ser determinantes para que o Estado continue o financiamento?

Se com o investimento dessa verba os hospitais conseguirem bons resultados, por meio de uma administração profissional dos recursos, provaremos que a estratégia é consistente e então não haverá motivos para ela não ser mantida. O Governo já reconheceu que as Santas Casas e Hospitais Filantrópicos são seu principal parceiro para o funcionamento do SUS. é uma relação de dependência mútua, porém, por enquanto, ainda não é sadia. Precisamos mudar esse cenário.