A TV digital aplicada à saúde

2014-08-12T00:00:00-03:00 12/08/2014|
O desenvolvimento tecnológico abre caminho para diversas possibilidades de transformação do mundo, num contexto em que o meio digital terá um papel cada vez mais fundamental no cotidiano e nas atividades humanas. No campo da saúde os possíveis usos e aplicações da tecnologia médica e hospitalar podem revolucionar a maneira como os hospitais, médicos e pacientes se relacionam. 
Atualmente, a tendência é vislumbrar um futuro em que as consultas poderão ser realizadas via dispositivos móveis como celulares e tablets. Aproveitando a popularização e penetração cada vez maior desses aparelhos na sociedade, diversos aplicativos voltados para a saúde têm sido desenvolvidos por empresas do setor.

No entanto, o estudo GESITI (Gestão de Sistemas e Tecnologias da Informação em Hospitais), um relatório do Ministério da Saúde que mapeou o panorama, as tendências e as perspectivas em saúde coloca a TV como a possível protagonista na formação desse novo cenário. De fato, o aparelho é o que tem a maior presença em todas as casas brasileiras, 98%, e que consegue atingir um público mais heterogêneo. Mas com a tecnologia de transmissão atual não existe a possibilidade de interferência da TV no campo da saúde.
Tudo pareceu começar a mudar em 2004, quando foi criado o Sistema Brasileiro de TV Digital (SBDTV). Esse projeto não tinha o objetivo de apenas melhorar a qualidade de imagem e som, mas também de implantar o conceito de interatividade, em que o telespectador teria a oportunidade de acessar conteúdos interativos relacionados à programação. Essa tecnologia abriu a possibilidade de criar diversas aplicações para a TV, também com outras finalidades, inclusive voltadas para a saúde. 
Diante disso, um consórcio liderado pela Universidade Federal de Santa Catarina e pelo Instituto Edumed para Educação em Medicina e Saúde de Campinas, foi contratado para o desenvolvimento de diversas aplicações-piloto para a TV digital interativa. A ideia era criar softwares que permitissem marcação de consultas, um dicionário interativo de saúde, cursos para agentes comunitários de saúde, programas educacionais para a população, acesso ao prontuário eletrônico, entre outros. 
Entretanto, no meio do caminho a interatividade foi deixada de lado na iniciativa da TV digital. O governo federal deu preferência ao modelo que dava prioridade para a qualidade da transmissão e modelos de decodificadores mais baratos. 
Mas o padrão japonês de transmissão, escolhido para ser adotado no Brasil, em conjunto com o desenvolvimento brasileiro na área de interatividade – chamado middleware Ginga – indica que em alguns anos a TV digital aplicada à saúde poderá ser uma realidade e ter uma papel ainda mais importante neste contexto do que os celulares e smartphones. Ainda existe um longo caminho pela frente, mas a expectativa é a de que isso se torne realidade e revolucione as dinâmicas médica e hospitalar.