Um exemplo prático de como expandir a cultura de segurança do paciente

A Santa Casa de Ituverava é um exemplo prático de como as instituições de saúde e hospitais podem ser mais transparentes e garantir cada vez mais segurança a seus pacientes e profissionais. Tem certificação “Ouro” pelo Projeto CPFL – Cealag, 102 leitos, 305 funcionários – sendo que desses, 187 se dedicam a funções assistenciais.
Para entender a metodologia utilizada e como a instituição combate a cultura punitiva frente ao erro, conversamos com Cláudia Maria Carreira Frata, que acredita que indicadores assistenciais são fundamentais para um serviço de qualidade e a capacitação continuada é uma boa saída para evitar os eventos adversos.
 
Confira a entrevista na íntegra:
CI: Como é o controle de eventos adversos na sua instituição? Quais são os pilares para melhorar o atendimento e minimizar esses erros assistenciais?
Cláudia: O controle é feito por meio de indicadores assistenciais que são colhidos mensalmente. Posso elencar alguns pilares importantes, como indicadores relacionados a queixas dos clientes internos e externos – ouvidora; rodas de conversas com colaboradores; reuniões do Colegiado Gestor da instituição, e análise do processo quando ocorre um evento adverso ou erro assistencial.
CI: A cultura de segurança não punitiva frente ao erro é uma realidade na Santa Casa?
Cláudia: Sim. Quando ocorre um evento adverso relacionado à assistência ao paciente, o processo que acarretou ao erro é avaliado desde o início e depois é proposto um Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) para o responsável, sem focar na demissão como forma de punição.
 
CI: Levando em conta o foco na segurança do paciente, há diretrizes definidas na sua instituição?
Cláudia: No que diz respeito à estrutura e equipamentos temos um Manual de Equipamentos; em relação à qualidade e controle de processos possuímos um Manual de Normas e Rotinas/Indicadores; realizamos anualmente o dimensionamento de pessoal da enfermagem, levando em conta diversos fatores, como taxa de ocupação de leitos, entre outros; temos um programa de educação permanente e continuado denominado Plano Anual de Educação Permanente, e implementamos constantemente processos que visam a segurança do paciente.
 
CI: Como os hospitais podem se preparar para comunicar com mais transparência tanto os dados referentes a erros quanto as melhorias para a sociedade? Quais as vantagens de proceder desta forma?
Cláudia: Em nossa avaliação, adotando uma comunicação clara e objetiva com o paciente e sua família, o entendimento de saúde passa a ser não mais uma prioridade para as instituições de saúde, mas também para o cidadão. Em nossa instituição temos alguns projetos relacionados à continuidade dos cuidados em rede – por exemplo, alta responsável; clínica ampliada; unidade de cuidados prolongados; contrarreferência com a rede básica relacionada aos atendimentos no pronto-socorro; acolhimento com classificação de risco que prioriza o atendimento dos pacientes mais graves. Desta forma, reduzimos o número de reinternações, colaborando na qualidade de vida do paciente, refletindo na saúde do município.
CI: Como os indicadores hospitalares são decisivos para essa postura mais transparente?
Cláudia: Eles são decisivos e devem ser compartilhados. Aqui fazemos isso por meio do site institucional, de nossa página no Facebook, murais espalhados em cada setor e pelo jornal informativo da instituição. Temos também um grupo diário para acompanhantes, com a participação de uma equipe multiprofissional, em que os processos de atendimento são discutidos por meio de “Rodas de Conversa”.
Aqui, um software de gestão hospitalar pode ser benéfico para que as instituições atinjam um patamar diferenciado, na medida em que ele pode facilitar a interpretação e análise dos dados, e possibilitar a divulgação de forma compreensível por todos.
2018-07-09T13:19:45-03:00